As vendas foram cantadas – Análise Semanal

Não foi por falta de aviso que o Índice Bovespa mostrou essa forte queda em quatro dos cinco pregões da semana, inclusive onde fizemos lotes de operações de vendas descobertas desde o comecinho do ano.

Forçando um pouquinho a barra já até podemos dizer que o Ibovespa atingiu o objetivo inicial de queda nos 47.300 pontos, já que a mínima de hoje foi 47.493 pontos, mas isso fica a critério de cada um.

De qualquer maneira, a tendência de baixa segue firme e se o suporte citado for também rompido, mais vendas serão chamadas em busca das mínimas do ano passado, próximo dos 44.000 pontos.  Depois de algum tempo chamando várias vendas, o Adx era o único indicador que ainda não ajudava os comprados, mas hoje também começou a apontar para cima e pode acelerar um pouco mais os movimentos. Repiques, como o de quarta-feira, podem acontecer a qualquer momento, mas é importante termos em mente que isso não muda nada na tendência de baixa, que apenas melhoraria de leve depois dos 49.600 pontos.

O Índice Dow Jones continua dando um banho no nosso mercado, mas pela primeira vez em um bom tempo já começa também a deixar os comprados com a pulga atrás da orelha. Isso acontecer por conta da perda de suportes como 16.240 pontos e de sua mme50, azedando o curto prazo e abrindo um espaço livre para precipitações até os 15.700 pontos. Isso certamente trará um pouco mais de estresse para o curto prazo, mas é importante saber que isso não impacta em absolutamente nada a tendência mais longa, que segue firme e forte apontando para novas máximas.

Como essas quedas já eram esperadas, quase tudo citado na semana passada por aqui deu certo, como vendas em ITUB4 e BBAS3, além da SMTO3, todos caindo muito forte. Até mesmo no lado oposto ao mercado, a compra em MRFG3 deu certo e foi rapidamente encerrada para garantir o lucro, andando forte mesmo contra todo o resto. É natural que as poucas compras que deram certo foram em papéis pouco ligados ao geral do mercado ou até mesmo ficando fora do índice.

Para novas operações, é óbvio que focarei nas operações de venda, em papéis como ENEV3, RENT3 e BRML3. Neste momento temos ainda alguma dificuldade para encontrar novas operações, pois, como sabem, compras são difíceis de achar por conta do viés de venda no mercado. Mesmo para operações de venda, a maioria dos ativos já caiu muito forte nos últimos dias e isso os deixa mais distantes do ponto de entrada e com stop muito longo. O objetivo agora é pegar papéis com tendência de baixa, mas um pouco atrasados em relação ao mercado, ainda mostrando um stop aceitável e indicadores que não estejam muito sobrevendidos.

Eu gosto de montar operações a favor de tendências mais longas, como é o caso da ENEV3. Ela tem uma configuração baixista no longo prazo e depois de alguns repiques, voltou a perder o suporte em R$ 3,17 e chamar vendas em busca das mínimas do ano. Suas bandas de bollinger também estão abrindo, o que sugere movimentações fortes ainda no curto prazo e já contando com ajuda do seu Adx. Essas quedas inicialmente miram nos R$ 2,90.

Depois de muitas tentativas, a RENT3 voltou a cutucar o suporte em R$ 30,92 e precisa apenas de uma nova queda para declarar mais uma venda em busca dos R$ 29,35 e com stop em R$ 32,07.O Adx ainda está baixo e essa nova queda para gerar a entrada poderia fazê-lo apontar novamente para cima, o que ajudaria muito os comprados. Essa venda pode ser dada até mesmo no semanal e suas BB estão começando a abrir.

O setor de shopping centers já gerou algumas operações recentes de venda, como a ALSC3 recém encerrada, mas a BRML3 está um pouco atrasada em relação a essas quedas e rompeu seu ponto de venda apenas hoje. O rompimento do suporte em R$ 16,44 serviu para gerar uma venda até mesmo no semanal e agora mira nos R$ 15,10 com o Adx bem baixinho. Vale uma atenção nas bandas de bollinger também, que estão abrindo bastante, indicando que o marasmo no papel chegou ao fim e que movimentações mais fortes devem voltar a aparecer.

Bom final de semana a todos e até a próxima!!

Daniel Marques é graduado em Engenharia de Produção pelo Centro Federal de Educação Tecnológica/RJ, com MBA em Mercado de Capitais pela Fundação Getúlio Vargas. Responsável pela área de análise técnica e derivativos das corretoras Ágora e Bradesco nos sites agorainvest.com.br e bradescocorretora.com.br, é ainda analista de valores global certificado pela APIMEC. Sua atuação no mercado é composta de análises e recomendações de operações envolvendo análise técnica, opções e long and short, além de programas de TV.