Vale a pena seguir uma Recomendação de Carteira?

Se você não sabe quais ações deve comprar, basta procurar uma recomendação de carteira proposta por alguma corretora de valores, banco ou site de investimentos e pronto. Certo?

Não!

Neste artigo, você vai entender porque precisa ter muito cuidado antes de seguir as sugestões de ações divulgadas nas chamadas “carteiras recomendadas”. 

recomendação de carteira

Quem está recomendando?

A primeira coisa que você deve se perguntar é quem realmente está fazendo estas recomendações.

O que mais existe atualmente é um conflito de interesse nesse tipo de “recomendação”. Uma coisa é quando um analista independente as faz. Ele está de fato recebendo um salário para fazer boas recomendações aos investidores que contratam este tipo de serviço.

Outra coisa completamente diferente são recomendações de uma corretora de valores; ela recebe dinheiro quando você compra e vende ações. Ou mesmo de um banco; ele recebe dinheiro da taxa de custódia das ações que você tem em carteira.

Pergunte-se:

  • Porque estão recomendando só ações?

  • Será que não há outras oportunidades em fundos imobiliários, tesouro direto, etc?

  • A rentabilidade desta carteira é melhor do que todos os outros fundos de ações disponíveis?

Esses conflitos de interesse levam muitas pessoas a fazerem investimentos que são ótimos para os bancos, mas péssimos para elas mesmas.

Leia aqui sobre o Título de Capitalização.

Para evitar cair neste tipo de cilada, saiba quem são os analistas que estão por trás desta carteira recomendada. Saiba de onde vem a remuneração deles; de uma casa de análise independente ou da própria corretora de valores?

Existem muitas casas de análise independente que fazem um trabalho muito sério neste sentido. Vale a pena pesquisar sobre elas e até pagar para ter acesso a relatórios realmente independentes.

Para quem estão recomendando?

recomendacão carteira

Recomendar um investimento para alguém é uma grande responsabilidade. Mas parece que muitas corretoras e analistas de mercado não se importam muito com isso.

Sempre que alguém vem me procurar pedindo uma indicação, minha resposta é sempre a mesma:

“Eu não sei.”

E sabe por quê?

Porque eu quase sempre não conheço a pessoa. Não sei quais são os seus objetivos investindo dinheiro; não sei quanto dinheiro ela quer investir; não sei quais são os planos e expectativas para aquele investimento; por aí vai.

Uma coisa é um jovem que precisa guardar dinheiro para pagar sua faculdade. Outra coisa é um jovem que já está trabalhando e tem dinheiro de sobra para investir.

Qual o objetivo do investimento recomendado?

Qualquer investimento que você fizer precisa ter um objetivo claro. Sem ter isso, o melhor que você faz é não investir em nada.

É importante ter clareza do motivo que está levando você a fazer um determinado investimento. Pode ser gerar mais dinheiro rapidamente, apesar do risco. Pode ser proteger o seu capital contra a inflação a qualquer custo.

Em geral as recomendações de carteira são recomendações superficiais. Elas não detalham muito o que o investidor deve esperar do comportamento daquele portfólio e a quais riscos ele está mais exposto.

Não estou querendo dizer que são ruins. Claro que todo mundo gosta de ver quais as ações que estão chamando atenção do mercado. Mas saiba que as recomendações de ações não vão muito além disso.

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Quem realmente ganha com a Recomendação de Carteira?

Outra coisa muito interessante de perceber antes de seguir uma recomendação de carteira é qual foi a performance daquela carteira ao longo dos últimos anos e como foi calculada.

O Valor Econômico faz um excelente trabalho apurando isso. Ele nos mostra como a qualidade do trabalho varia. Enquanto algumas recomendações de carteiras acumulam ganhos de 70% no ano, outras já perderam mais de 40%.

Recomendacao Carteira

Desde o momento que um analista dá a recomendação para uma determinada ação até o momento que você toma conhecimento sobre a recomendação dada, várias horas já se passaram e muito movimentos podem ter acontecido no preço da ação.

É importante que as recomendações estejam claras: preço inicial, preço alvo e potencial esperado de valorização. Algo bastante comprometedor para a grande maioria dos analistas; eles preferem se limitar a dizer que determinada ação “foi incluída na carteira”.

Não estou condenando niguém por fazer isso. Realmente é muito difícil estimar estes dados com precisão. E mesmo com precisão, na maioria das vezes eles não se realizam. Mas é importante que os investidores tenham clareza sobre essa prática de mercado.

Lista de Carteiras Recomendadas

Apesar de tudo o que falei aqui, as carteira recomendadas parecem ser uma grande paixão dos investidores brasileiros. Praticamente todos os bancos, corretoras de valores e sites de investimento têm a sua.

Não vou entrar no mérito de avaliar ou julgar cada uma delas; deixo isso para quem se sentir preparado. Segue aqui, a título de curiosidade, uma lista das recomendações de carteiras mais famosas do mercado:

EXAME

Fazem um apanhado das recomendações de diversas corretoras de valores e criam uma média de tudo o que foi incluído e tirado da carteira em relação ao mês anterior.

Carteiras XP

A XP é mais responsável em relação a adequar o investimento ao investidor, criando algumas carteiras recomendadas que buscam estar mais adaptadas para os diferentes perfis de risco que os investidores podem ter.

Carteira InfoMoney

A proprietária do portal InfoMoney é a corretora XP, então não faz muito sentido esperar muita variedade nas recomendações publicadas aqui.

Empiricus

Por ser uma casa de análise independente, já sai bem na frente em relação às demais no quesito credibilidade. Não têm o conflito de interesse que corretoras e bancos que fazem recomendações enfrentam.

Carteira Valor

Reúne as diversas carteiras recomendadas pelas corretoras e ainda divulga a performance histórica de cada uma, dando muito mais trenaparência ao processo de entender se este tipo de recomendação deve ser seguido ou não.

Diego Wawrzeniak (@diegowrz) é autor do Guia do Imposto de Renda na Bolsa.
Trabalhou no mercado financeiro e é economista pela FGV. Além de finanças, também é apaixonado por empreendedorismo, inovação e conversar com outros investidores.