Guia de Peer­-to-­Peer Lending: Títulos de Dívida Privada

Todo bom investidor já conhece (e provavelmente investe) em títulos de dívida pública, como o Tesouro Direto, no caso do Brasil. Pouco conhecidos, porém, são os títulos de dívida privada, que já são sucesso lá fora sob o nome de peer-to-peer lending e estão começando a chegar no país.
peer-to-peer lending

O que é o peer-to-peer lending?

É uma modalidade de empréstimo para empresas, que as permite obter crédito financiado por pessoas físicas. É bom para a empresa porque as taxas de juros são menores do que ela geralmente consegue no banco, e é bom para quem financia pois os juros geralmente rendem mais que CDB e tesouro direto.

Como isso acontece na prática?

Na prática, tanto o empréstimo da empresa, quanto o crédito cedido pelos investidores se tornam títulos financeiros. Geralmente no Brasil o peer-to-peer lending acontece através de operação ativa vinculada (OAV) que é uma operação regulamentada pelo Banco Central através da Resolução Nº 2.921, de 17 de Janeiro de 2002. Nesse tipo de operação, a dívida da empresa é representada por um CCB (Cédula de Crédito Bancário), enquanto o crédito cedido por cada investidor é representado por uma RDB (Recibo de Depósito Bancário). Esses títulos são então vinculados pela instituição financeira parceira.

Quem facilita o processo?

No mundo já existem inúmeras plataformas de peer-to-peer lending, sendo este um mercado global de U$65 bilhões, e que vem crescendo vertiginosamente. No Brasil ainda são pouquíssimas plataformas que oferecem o serviço, e sempre em parceria com uma instituição financeira que garante a operação ativa vinculada explicada acima.

Quais são os riscos?

Por ser uma operação vinculada, o principal risco é o de não pagamento por parte da empresa tomadora de crédito. Esse risco, contudo, pode ser mitigado através de uma boa análise de crédito por parte da plataforma e também pela diversificação (não é recomendado investir todo seu capital no título de apenas uma empresa, mas sim distribuir em títulos de diversas empresas para diluir o risco). Procure informações sobre esses dois pontos – diversificação e análise de crédito – para decidir qual é a melhor plataforma para começar a investir.

Vale a pena investir em peer-to-peer lending?

Com certeza é uma opção muito interessante para diversificar sua carteira. O peer-to-peer lending geralmente oferece boas taxas de retorno, e como já foi falado o risco pode ser mitigado pela plataforma que oferece o serviço. Algumas até disponibilizam um relatório financeiro sobre as empresas solicitantes afim de auxiliar o investidor na tomada de decisão. Também vale ressaltar que essa modalidade de investimento apresenta repagamentos mensais, então a liquidez é interessante e permite reinvestir o dinheiro como você preferir.

Qual rentabilidade posso esperar?

A rentabilidade varia muito de uma plataforma para outra, mas no geral os rendimentos podem chegar a até 180% do CDI (26% a.a.). Novamente tenha atenção à análise de crédito e opções de diversificação, pois geralmente quanto maior a rentabilidade, menor é o rating de crédito (e maior é o risco) da empresa (ou portifólio de empresas) solicitante.

Como começar?

Basta procurar no google por plataformas de peer-to-peer lending e você já encontrará algumas. A Nexoos, por exemplo, já está operando no Brasil no segmento de pequenas e médias empresas, sendo que a próxima rodada de investimentos será no dia 17 de Outubro. O cadastro é imediato, e após preencher alguns dados e perfil de risco, você já poderá ter acesso às oportunidades de investimento. Geralmente as plataformas soltam essas oportunidades em grupo, para dar oportunidade de diversificação aos investidores. Se não houver nenhuma oportunidade disponível, fique de olho no email e nas redes sociais da plataforma pois é lá que geralmente anunciam novas oportunidades.

Daniel Gomes é cofundador e CEO da Nexoos. Anteriormente trabalhou no Itaú Unibanco e na Rio Bravo Investimentos. É formado em engenharia elétrica pela Poli-USP e possui um Master em Empreendedorismo e Tecnologia pela University College London (UCL). Daniel também é o responsável pelo blog FintechBr.