O Que É Tesouro Direto?

A esta altura você já deve ter percebido que a poupança não é mais um bom negócio, não é mesmo? Você também já deve estar se perguntando o que é Tesouro Direto e como investir nele.

Mas antes de tudo fique tranquilo!

Ao terminar de ler este artigo, eu garanto que você terá aprendido tudo o que precisa saber para se tornar um investidor no Tesouro Direto e fazer bons investimentos com segurança.

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Pronto? Vamos lá:

Afinal, o que é Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é um sistema criado pelo governo (mais especificamente pelo Tesouro Nacional) para vender títulos públicos diretamente aos investidores pessoa física, por meio da internet.

Utilizando o Tesouro Direto significa que você pode investir em títulos de dívida do governo brasileiro, sem nem sequer ter que sair da sua casa.

Veja este vídeo bastante didático, apresentado por Conrado Navarro, autor do excelente blog de finanças Dinherama.

Por que existe o Tesouro Direto?

Assim como você pega dinheiro emprestado para comprar uma casa e empresas se endividam para realizar novos investimentos, o governo brasileiro (assim como qualquer outro país) também precisa de dinheiro para financiar seus gastos.

Para conseguir dinheiro emprestado, o governo emite “títulos de dívida pública” para investidores que desejar compra-los, em troca de receber juros ao longo do tempo deste empréstimo.

No Brasil somente o governo federal pode emitir títulos públicos, por meio do Tesouro Nacional.

Uma vez emitidos, estes títulos são vendidos por meio de um leilão aos bancos, fundos e outras instituições que desejam investir nestes ativos. Devido ao grande volume de dinheiro envolvido, o investidor pessoa física é excluído desta venda direta de títulos.

O que é Tesouro Direto

Antes de 2002: “Quer investir? Então pague!”

Como o investidor pessoa física é excluído do leilão de títulos, o único jeito de investir era colocar dinheiro em fundos de investimento que haviam comprado alguns destes títulos.

A grande maioria destes fundos eram oferecidos e administrados por bancos, que cobravam taxas de administração dos pequenos investidores.

Após 2002: “Invista Direto!”

tesouro diretoIsso foi assim até o início de 2002, quando  Tesouro Nacional resolveu acabar com a mamata dos bancos e tomou a iniciativa de lançar o programa Tesouro Direto.

O objetivo foi criar um sistema em que a venda de títulos públicos sejam realizadas diretamente aos investidores pessoa física, de um modo muito mais democrático e justo, sem fazer o pequeno investidor pagar taxas de administração para investir em títulos de seu próprio país.

O sistema é totalmente online e para investir basta ter CPF e conta corrente (ou conta poupança).

A criação do Tesouro Direto foi uma enorme evolução para os investidores pessoa física, colocando-os em pé de igualdade com bancos e outros grandes investidores que antes tinham acesso exclusivo à este investimento.

Por que investir no Tesouro Direto?

Embora eu seja contra a ideia de que um investimento atenda à todos os perfis de investidores, o Tesouro Direto é o que mais se aproxima disso.

Como são oferecidos diferentes tipos de títulos, com diferentes níveis de risco (explico cada um adiante), dificilmente investir em títulos do tesouro não será uma boa opção para o investidor.

Entre as vantagens mais evidentes estão:

1. Segurança:

tesouro diretoEm uma situação econômica normal, títulos públicos são os investimentos menos arriscados de uma economia, garantidos 100% pelo Tesouro Nacional. Em caso de extrema necessidade o governo pode até imprimir dinheiro para pagar as dívidas.

Mesmo a poupança que é vista como “segura” tem mais risco do que o Tesouro Direto, uma vez que em caso de quebra do banco, são garantidos até R$ 250.000 dos depósitos.

2. Rentabilidade

Os títulos do Tesouro Direto costumam pagar uma rentabilidade líquida superior à muitos investimentos e fundos de renda fixa, que no cenário econômico atual não têm nem conseguido nem superar a inflação.

3. Tributação de IR na fonte

Diferente do que acontece com o imposto de renda sobre ações, o IR no Tesouro Direto é retido na fonte, o que é uma grande facilidade ao investidor pessoa física.

Outra vantagem é a tabela de imposto de renda regressiva, com uma alíquota menor de acordo com o tempo do investimento:

    • 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias
    • 20% para aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias
    • 17,5% para aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias
    • 15% para aplicações com prazo acima de 720 dias

4. Facilidade

Todas as compras e vendas no Tesouro DIreto são feitas pela internet, ou seja, não é necessário ir até agências, falar com gerentes, assinar papeladas pessoalmente, etc. Sem falar de que pode ser feito de qualquer lugar do mundo, não importa onde você esteja.

5. Liquidez

Caso você precise do dinheiro investido, pode vender seus títulos ao próprio tesouro nacional que garante a recompra todas as quartas feiras.

Veja que dferente da poupança e de outros fundos de renda fixa, a liquidez do Tesouro Direta não é imediata, porém nada o que um pouco de planejamento não resolva neste quesito.

6. Baixo investimento mínimo

Qualquer investidor pode comprar títulos desde que tenha R$ 30 para investir. Como você pode ver este não é algo impeditivo para alguém que tenha algum dinheirinho guardado.

7. Variedade de títulos

Como vou explicar adiante, uma grande vantagem do Tesouro Direto  é a variedade de títulos disponíveis. Variam entre pós fixados, indexados à inflação e totalmente pré fixados. O que resulta em diferentes relações de risco e retorno que o investidor pode escolher.

” Ok Diego, já entendi o que é Tesouro Direto e achei interessante. Agora quero saber como investir nisso!”

Sim amigo investidor! Vamos lá:

Como investir no Tesouro Direto?

Investir no Tesouro Direto é mais fácil do que a grande maioria dos brasileiros imaginam.
Qualquer brasileiro que possua CPF e tenha Conta Corrente (ou Conta Poupança) em alguma instituição bancária. está qualificado para investir no Tesouro Direto.

Com isso basta seguir os passos:

1. Abra conta em uma corretora de valores

como investir no tesouro diretoPara comprar títulos do Tesouro Direto você precisa abrir conta em alguma corretora de valores. Não fique preocupado com isso! Abrir conta em corretoras é bem mais fácil e barato do que abrir conta em bancos.

A grande parte delas pedem somente que você envie a cópia de alguns documentos pelo correio. Além disso não são cobradas taxas pela aberturas de contas e caso você não utilize sua conta, não serão cobradas taxas (diferente do que os bancos fazem).

Caso ainda não tenha uma, veja nosso comparativo de corretoras de valores e o artigo com dicas de como escolher uma corretora de valores.

2. Solicite acesso ao Tesouro Direto

Após aberta sua conta, basta que você informe à sua corretora de valores que deseja investir no Tesouro Direto. Eles irão lhe enviar os “termos de aceite” que você deverá ler e concordar. Após isso você receberá uma senha para acessar a área restrita do site do Tesouro Direto.

3. Transfira recursos à sua nova conta

Para investir você vai precisar de dinheiro correto? Então transfira o valor que está querendo investir no Tesouro Direto para sua nova conta na corretora de valores. É normal que demore até dois dias para que a corretora identifique seu depósito e credite na sua conta, portanto não fique ansioso.

Lembre-se de que você não precisa comprar um Título inteiro, que é bem mais caro. Ao invés disso, é possível comprar somente frações múltiplas de 0,1 título, o que envolve valores bem menores.

4. Escolha seus títulos púbicos

Você já tem a conta e o dinheiro! Agora é hora de finalmente comprar seus primeiros títulos públicos pelo Tesouro Direto.

Caso sua corretora seja um “agente integrado” você poderá comprar Títulos Públicos diretamente pelo site da corretora. Caso ela não seja. basta que você entre diretamente na area restrita do site do Tesouro Direto e comece a escolher em qual título investir. O site do tesouro tem um excelente passo a passo.

“Diego, ótimo! É mais fácil do que eu pensava, mas existem pelo menos 10 opções de títulos disponíveis, qual eu devo escolher?”

Fique calmo, estamos chegando lá:

Qual a diferença entre os títulos do Tesouro Direto?

Essa é uma dúvida extremamente comum entre os investidores. Muitos se confundem achado que qualquer título comprado no Tesouro Direto é ganho garantido. Não é!

Além da data de vencimento, que determina quando o principal investido no título será devolvido ao investidor, os títulos públicos podem ser divididos em:

  1. Pós Fixados
  2. Indexados à Inflação (IPCA)
  3. Pré Fixados

DICA: Verifique as taxas e preços vigentes em cada um dos títulos nesta área do site do Tesouro DIreto.

1. Títulos Pós Fixados

  • São as chamadas LFT (Letras Financeiras do Tesouro)
  • Rentabilidade: pós fixados, indexados à Selic, pagando 100% de sua rentabilidade no período
  • Risco: muito baixo

Estes títulos são os menos arriscados. Como a rentabilidade é definida de acordo com a taxa Selic vigente, você nunca terá uma rentabilidade negativa com este título.

É o substituto ideal para quem tem dinheiro aplicado na poupança: mesmo pela alíquota de imposto de renda mais alta (22,5%) a rentabilidade das LFTs é superior a da poupança que paga somente 70% da Selic.

A LFT não paga Cupom de Juros, de modo que se o investidor não vender o título antes só receberá o total investido no dia do vencimento. Isso é algo bom para o investidor que não quer se preocupar em reinvestir juros recebidos.

Veja o fluxo de pagamentos da LFT:

Tesouro Direto LFT

2. Títulos Indexados à Inflação

  • São as NTN-B Principal e as NTN-B (Notas do Tesouro Nacional série B).
  • Rentabilidade: definida no momento da compra somada à inflação no período (IPCA).
  • Risco: mediano

Como estes títulos possuem uma parte de sua rentabilidade pré fixada (definida no momento da compra), estão parcialmente sujeitos às variações nas taxas de juros:

  • Se os juros sobem eles desvalorizam
  • Se os juros caem eles valorizam

Vale ressaltar também que independente das flutuações, caso o investidor mantenha o título até o vencimento, terá exatamente a rentabilidade pactuada no início da compra.

A principal diferença entre a NTN-B Principal e a NTN-B é o fluxo de pagamentos. Com a NTN-B Principal o investidor não precisa se preocupar com reinvestimentos, uma vez que não recebera cupons de juros. A NTN-B paga cupons semestrais, que cabem ao investidor decidir o que fazer com estes valores.

Veja os fluxos de pagamento:

Tesouro Direto NTN-B principal

Tesouro DIreto NTN-B

 3. Títulos Pré Fixados

  • São as LTN (Letras do Tesouro Nacional) e as NTN-F (Notas do Tesouro Nacional série F)
  • Rentabilidade: totalmente definida no momento da compra
  • Risco: o mais elevado de todos os títulos

Como as taxas que o investidor irá receber são definidas no momento da compra, este títulos são os mais sujeitos às variações nas taxas de juros. O comportamento é o mesmo que os títulos indexados à Inflação, porém com variações ainda maiores:

  • Se os juros sobem eles desvalorizam
  • Se os juros caem eles valorizam

A diferença entre a LTN e a NTN-F também é basicamente o fluxo de pagamentos, enquanto a LTN paga somente o principal no vencimento, a NTN-F paga cupons de juros semestrais.

Veja os fluxos de pagamento:

Tesouro DIreto LTN

Tesouro Direto NTN-B

Conclusão

O que é o Tesouro Direto hoje já é muito comum entre os investidores brasileiros e com toda certeza será cada vez mais:

o que é tesouro direto

Com a queda dos juros para os valores atuais o investidor deve começar a sair de sua zona de conforto e olhar para as oportunidades além da Poupança e dos CDBs de bancos. O Tesouro Direto é uma destas opções, Fundos Imobiliários e ações também.

Se você leu e entendeu tudo até aqui está de parabéns! Já está pronto para começar a dar seus primeiros passos no Tesouro Direto e investir em alguns títulos públicos.

Apesar de este artigo estar bastante completo, ainda há temas um pouco mais avançados que abordarei nos próximos artigos envolvendo o cálculo da rentabilidade e do risco de investir em um determinado Título Público.

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Diego Wawrzeniak (@diegowrz) é autor do Guia do Imposto de Renda na Bolsa. Trabalhou no mercado financeiro e é economista pela FGV. Além de finanças, também é apaixonado por empreendedorismo, inovação e conversar com outros investidores.