Mudanças no FGC: Qual é a Relação com o seu Investimento?

Nas últimas semanas de 2017 uma notícia bombou no setor financeiro brasileiro: as mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em parceria com o CMN (Conselho Monetário Nacional), o FGC alterou algumas regras em sua garantia e essas alterações têm total relação com os seus investimentos.

O que é o FGC?

O FGC é uma entidade privada sem fins lucrativos que traz grande segurança ao investidor. Ele garante alguns investimentos em renda fixa como CDB, LC, RDB, LCI, LCA entre outros. Fundos de investimento e Tesouro Direto, por exemplo, NÃO são garantidos.

“Mas o que significa essa garantia?” Vamos te dar um exemplo: você investiu R$ 5 mil em um CDB do banco Y. Se o banco Y quebrar, você vai perder tudo, certo? Não! Você não vai perder o seu dinheiro. O FGC vai devolver os seus R$ 5 mil + rendimentos para que você não tenha nenhum prejuízo.

É uma entidade muito importante no mundo financeiro, já que garante a segurança de diversos tipos de investimento. É fundamental para quem quer investir em aplicações com menos risco — se alguma coisa acontecer, o dinheiro volta para a sua mão.

Para essa garantia estar valendo, existem algumas regrinhas que precisam ser conhecidas por quem quer investir. No final do ano passado, algumas dessas regras foram alteradas e é muito importante que você entenda o que mudou e o que isso tem a ver com o seu investimento.

Vale contar que essas mudanças NÃO são retroativas, ok? Se você tem algum CDB ou outro investimento realizado até 22 de dezembro de 2017 (dia exato em que começaram a valer as novas regras), nada muda. Mas, se você pretende continuar investindo ou quer começar a investir, as novidades estão valendo a partir dessa data.

Quais novidades são essas? Vamos te explicar uma por uma!

Como funcionava

Antigamente, o FGC assegurava R$ 250 mil por CPF e por grupo financeiro. Isso significava que, se você investisse até esse valor em um mesmo banco, estava totalmente seguro. Lembrando que, para estar 100% coberto, a quantia total (investimento inicial + rendimentos) não poderia passar de R$ 250 mil.

O investidor também podia aplicar R$ 250 mil em bancos diferentes (desde que não pertencentes ao mesmo grupo) e todo o dinheiro estaria garantido. Sim, podia ser R$ 2,5 milhões em 10 bancos diferentes (ou até mais!) e o investidor estaria totalmente assegurado — sem limite de valor.

Se um banco quebrasse, o FGC era obrigado a “devolver” o dinheiro dos investidores. Se outro banco quebrasse no ano seguinte e os mesmos investidores tivessem o seu dinheiro lá aplicado, a garantia continuaria e o Fundo “devolveria” novamente — sem prazo de validade.

As mudanças

#1 Teto do FGC

Agora, o cenário mudou um pouco. A mudança mais significativa foi o teto de R$ 1 milhão. Ou seja, agora existe um limite por CPF para estar 100% assegurado.

Lembra que, ali em cima, nós dissemos que, se você investisse R$ 2,5 milhões em 10 bancos diferentes estaria totalmente coberto? Hoje não funciona mais assim. Você só pode chegar até R$ 1 milhão para continuar com a garantia.

O limite por instituição continua, ok? Você não pode colocar esse R$ 1 milhão em um único banco, não. Para estar garantido, o investidor só pode colocar R$ 250 mil por instituição e R$ 1 milhão por CPF.

A grosso modo, você só pode aplicar R$ 250 mil em 4 instituições, R$ 100 mil em 10 instituições, R$ 50 mil em 20 instituições e assim por diante. A somatória precisa estar abaixo de R$ 1 milhão para estar garantido pelo FGC. E lembrando que precisa ser a somatória do valor investido + rendimentos. Ou seja, o valor total não pode ultrapassar R$ 1 milhão.

#2 Prazo de validade

Outra alteração que surgiu foi o estabelecimento de um “prazo de validade na garantia”. Como nós também já dissemos ali em cima, se mais de um banco quebrasse e o mesmo investidor tivesse aplicações em todos os bancos que quebraram, o FGC cobria integralmente. A partir de dezembro de 2017, a situação mudou. Para explicar, é melhor usar um exemplo.

Você têm conta no banco Y e, em 2018, investiu R$ 200 mil em uma LC (Letra de Câmbio). Infelizmente, o banco Y declarou falência e quebrou. Como você está dentro do limite de R$ 250 mil por instituição, o FGC vai lá e devolve o seu dinheiro.

A partir do momento que você recebeu seus R$ 200 mil de volta, você está “em débito” com o FGC e o seu limite não é mais o mesmo do que os outros investidores. Lembra do limite de R$ 1 milhão? Então, você não tem mais!

Pelos próximos 4 anos, o seu limite é de R$ 800 mil (R$ 1 milhão menos os R$ 200 mil que você usou do FGC). Caso em 2019 outros bancos que você utiliza declarem falência, você só poderá receber de volta uma quantia dentro desses R$ 800 mil.

Ou seja, foi estabelecido um limite no prazo — uma data de validade – de 4 anos. O investidor receberá seu dinheiro de volta, mas isso será descontado do seu limite máximo de R$ 1 milhão pelos próximos 4 anos.

Um exemplo bem difícil de acontecer, mas que serve para ilustrar: se você colocou R$ 200 mil em 5 instituições diferentes e as 5 quebraram, o FGC devolverá integralmente o seu investimento, mas você não vai ter NENHUM investimento garantido pelos nos próximos 4 anos. Isso porque você já recebeu R$ 1 milhão — que era o limite permitido.

Depois desse prazo de 4 anos, o seu “saldo” volta ao normal e você segue sendo assegurado pelo Fundo.

Como isso te afeta

Se você é um grande investidor e tem o costume de aplicar mais de R$ 250 mil, essas alterações vão mudar bastante o seu jeito de investir. É necessário ficar sempre de olho nas regras para não marcar bobeira.

No entanto, se você é um pequeno investidor, deve estar pensando: “Eu nem tenho R$ 250 mil, o que isso tem a ver comigo?”. Mas essas mudanças servem para você refletir um pouco sobre o seu dinheiro e onde você o aplica. É uma instituição confiável? Qual é o risco do investimento?

Isso vale para entender que, infelizmente, o FGC não vai garantir 100% dos seus investimentos. Você precisa analisar bem as suas opções de investimento, quais são as instituições disponíveis no mercado; diversificar o seu portfólio de maneira que, no futuro, isso não te traga mais dores de cabeça. E conhecer o risco dos bancos!

Afinal, hoje você é um pequeno investidor, mas amanhã pode ser um grande e é muito importante estar por dentro das mudanças para escolher as aplicações com mais sabedoria e cautela. E, cá entre nós, ninguém quer investir em um banco que quebra e precisa usar o FGC, certo? Portanto, é importante conhecer onde você aplica o seu dinheiro!

E você já sabe: O Yubb está sempre aqui para te ajudar com isso! Principalmente para você encontrar investimentos de forma totalmente transparente e imparcial. E, além disso, poder conhecer cada uma das empresas de investimento e diferentes instituições; analisar, comparar e escolher a melhor opção.

O nosso intuito com este post é mostrar que é essencial procurar o máximo de informações sobre a instituição financeira que vai receber o seu dinheiro para não ter nenhum problema e sempre estar garantido pelo FGC — mais segurança, menos risco e mais tranquilidade.

 

 

Bernardo Pascowitch

Bernardo é fundador e CEO do Yubb, buscador de investimentos totalmente gratuito para qualquer pessoa encontrar opções para aplicar melhor seu dinheiro. Bernardo é formado em direito pela Universidade de São Paulo (USP).

Débora é produtora de conteúdo no Yubb e formada em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.