5 Indicadores Fundamentalistas Mais Importantes Em Uma Análise

Se você é um investidor fundamentalista, já sabe que não há um “modo correto” de analisar uma ação. Cada analista tem o seu próprio método e obviamente sempre vai defender que “este é o melhor”. Porém, na hora de entender o que está acontecendo com uma empresa, você deve prestar atenção nos indicadores fundamentalistas mais importantes!

indicadores fundamentalistasPara facilitar sua vida, juntamos aqui uma explicação bem didática de 5 indicadores que darão uma boa ideia sobre o que está acontecendo em uma empresa atualmente.

Confira os principais indicadores fundamentalistas de empresas da bolsa em nosso Guia de Empresas da Bovespa:

Indicadores Fundamentalistas Petrobras

Exemplo de fundamentos da Petrobras.

 

Por que usar indicadores fundamentalistas?

Imagine que alguém fale para você:

“A empresa X teve um lucro de R$ 50 milhões este ano.”

O que isso quer dizer? A resposta é: nada!

Não há informações suficientes para saber se isso é uma notícia boa ou ruim, certo? Agora, imagine que a pessoa diga também:

“Isso foi uma queda de 30% em relação ao ano anterior.”

Agora a coisa ficou mais clara, é uma péssima notícia… Porém só descobrimos isso porque tivemos algo com que pudéssemos comparar. Neste caso o lucro do ano anterior.

Agora, como podemos comparar uma empresa com outra, já que todas são tão diferentes?

A resposta é: Usando indicadores fundamentalistas! :)

Os indicadores criam proporções entre alguns valores chave, que todas as empresas têm, como lucro, dívida, valor de mercado e preço. Se conseguirmos estas proporções para duas empresas diferentes podemos compara-las facilmente e descobrir qual é mais lucrativa, ou qual está mais endividada por exemplo. Podemos ainda usar o histórico dos indicadores fundamentalistas para determinar a evolução do valor das ações.

Muito bem! Agora que você já sabe porque os indicadores fundamentalista são tão úteis, vamos entender alguns dos mais importantes:

 

1. Indicador Preço / Lucro

O indicador P/L (ou Preço Sobre Resultado – PSR) é um dos mais amplamente conhecidos e utilizados no mercado de ações. Ele permite comparar o preço relativo facilmente qual ação, ou seja qual está mais “cara” ou mais “barata“.

O P/L nada mais é do que o preço atual da ação, dividido pelo lucro por ação. Em outras palavras, ele mostra quanto que os investidores estão dispostos a pagar por cada R$ 1 de lucro que a empresa tiver.

P/L = Cotação da Ação / Lucro Por Ação

Sendo que:

lucro por ação (LPA) = lucro total / número de ações emitidas pela empresa

 

Desse modo, quanto menor o P/L de uma empresa, mais atrativas estão suas ações. E por outro lado, quanto maior o P/L, mais cara estão as ações da empresa.

Perceba também que como o preço da ação varia a cada segundo, este indicador também. Por conta disso ele é muito utilizado também por investidores que automatizam seus investimentos com robôs. Determinando um nível de compra e venda com base no indicador preço lucro.

Limitações deste indicador:

Embora o preço lucro seja muito eficiente para comparar empresas do mesmo setor (ex: Itaú e Bradesco), ele não funciona bem para comparar empresas de setores diferentes. Isso porque ele não considera o potencial de crescimento nos lucros da empresa no futuro.

Imagine que duas empresas tenham o mesmo lucro por ação e estejam custando a mesma coisa. No entanto uma delas tem um potencial de crescimento enorme, enquanto que a outra já está em um mercado saturado e consolidado. Independente deste último fato o P/L será igual para as duas.

 

2. Indicador Preço / Valor Patrimonial Ajustado

Este indicador também é conhecido como VPA. Se o P/L mostra quanto os investidores estão pagando por cada real de lucro, o VPA mostra quanto os investidores estão pagando por cada real dos ativos da empresa.

P/VPA = Cotação da Ação / Valor Ativo Tangível (por ação)

Obs.: para entender como é calculado o valor do ativo tangível por ação, leia este artigo.

 

Veja que este é um indicador bastante conservador, por não incluir ativos intangíveis e de difícil valoração em seu cálculo (como patentes, prêmio por aquisição de empresas, etc).

De modo geral, uma P/VPA inferior a 1,5 é um bom sinal de atratividade nas ações da empresa.

Limitações deste indicador:

Por excluir de seu cálculo ativos intangíveis, muitas vezes o indicador fundamentalista VPA fica extremamente alto e não mostra realmente a situaçãoo da empresa.

 

3. Indicador Dívida / Capital Social

Também conhecido como indicador Debt-Equity, este número mostra o nível de endividamento da empresa.

D/CS = Dívida Total de Empresa / Valor do Capital Social

 

Na dívida total é considerado todos os empréstimos que a empresa obteve e que ainda devem ser pagos. Estes empréstimos pagam juros e podem ser obtidos com bancos, emissões de debêntures e outros financiamentos.

Já o valor do capita social é quanto que a empresa possui de valor aportado por seus acionistas, por meio da emissão de ações. Este dinheiro não precisa ser pago, já que representa uma compra de participação na propriedade da empresa.

Embora o nível de endividamento varie bastante entre diferentes setores, vale tomar cuidado com empresas que possuam altos níveis de endividamento (maior D/CV), especialmente se o setor está passando por momentos ruins. Este é o primeiro sinal de que a empresa pode ter se endividado mais do que deveria.

 Limitações deste indicador:

Não é válido para comparar empresas de diferentes setores. Enquanto que alguns setores são muito dependentes de financiamentos (ex: construtoras), outros praticamente não precisam (ex: elétricas).

 

4. Fluxo de Caixa Líquido – FCL

Embora muitos investidores ainda não saibam, o lucro da empresa raramente é igual a quantidade de caixa que foi gerado no período. Caixa é “o dinheiro que realmente entrou na conta da empresa”.

Isso porque muitas das vendas podem ser financiadas, podem ser realizados investimentos em bens de capital e outros fatores contábeis como a depreciação de ativos.

Pode acontecer por exemplo de a empresa ter um ótimo lucro, mas estar sem dinheiro no momento. Este indicador resolve o problema criado pelas regras contábeis e mostra de fato quanto de dinheiro entrou na empresa.

De modo geral, um FCL positivo é um bom sinal, do mesmo modo que um negativo é um ponto de alerta.

Limitações deste indicador:

Apesar de mostrar que a empresa está gerando caixa, ele não permite a comparação direta entre empresas. Para tornar isso possível você pode usar o indicador derivado deste: Preço / Fluxo de Caixa Líquido.

 

5. Retorno Sobre Capital Social (ROE)

Também conhecido como Return o Equity, este indicador mostra a porcentagem de retorno que a empresa está dando sobre o dinheiro de seus acionistas.

ROE = Lucro Líquido / Capital Social

 

Este indicador é muito útil para medir a lucratividade de diferentes companhia no mesmo setor. Em outras palavras ele mostra quanto que a companhia gerou para cada Real investido por seus acionistas.

É comum encontrar um ROE alto para companhias em crescimento, enquanto que companhias mais estáveis possuam um ROE menor. No entanto o ROE é uma indicação clara de como a empresa está remunerando seus acionistas. Não é raro ver ações com um ROE bem abaixo da taxa de juros de um título público por exemplo…

Limitações deste indicador:

Como expliquei no Fluxo de Caixa Líquido, quase nunca o lucro é igual ao caixa gerado pela empresa. Ou seja, uma empresa que teve prejuízo, e portanto terá um ROE negativo, não necessariamente deixou de gerar caixa positivo, o que ;e um bom sinal.

 

Onde encontrar indicadores fundamentalistas de Ações?

Embora seja importante saber o cálculo de cada indicador fundamentalista, felizmente você não precisa calcular cada um deles. Existem alguns lugares em que você pode encontrar eles já prontos para a comparação, como aqui no Bússola do Investidor.

Conheça aqui o nosso guia de ações, com as cotações em tempo, gráficos e indicadores fundamentalistas de todas as empresas da Bovespa.

 

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Diego Wawrzeniak (@diegowrz) é autor do Guia do Imposto de Renda na Bolsa.
Trabalhou no mercado financeiro e é economista pela FGV. Além de finanças, também é apaixonado por empreendedorismo, inovação e conversar com outros investidores.