Como pagar menos Imposto de Renda sobre o Investimento em Bolsa

Este post é mais um da série sobre Imposto de Renda sobre o investimento em ações, que lançamos nesta época do ano. Veja os outros posts que já publicamos clicando aqui.

Hoje vou falar algumas dicas para economizar na hora de investir, considerando o imposto de renda como um custo que pode ser gerenciado. Este post não fala sobre sonegação, mas sim sobre como otimizar a rentabilidade no longo prazo, seguindo as regras existentes.

Quanto dá para economizar?

O ganho com investimento em bolsa de valores é tributado geralmente em 15% ou 20%. O pagamento do imposto pode ser até o último dia do mês seguinte ao ganho (investimento direto pessoa física), semestralmente (fundos de investimento com come-cotas) ou ao final do investimento (clubes e fundos de investimento em ações).

A diferença parece pequena, mas considerando prazos longos e o efeito dos juros compostos pode ser enorme. Entender as regras de tributação para diferentes tipos e modalidades de investimento permite um planejamento tributário por parte do investidor que gera uma economia considerável.

Para se ter idéia, imaginemos dois investidores que sigam uma mesma estratégia de day-trades. Ambos começaram com o mesmo capital e tiveram ganho líquido de 1% ao mês antes de pagar o IR. Como fica a rentabilidade de cada um caso um invista através de um fundo de investimentos e o outro invista direto no seu home broker? Simulei esta rentabilidade e coloquei em um gráfico para você:

Post IR 5 - Gráfico

O gráfico acima mostra que o simples fato de ter uma alíquota de IR diferente – 15% para o fundo de investimento e 20% para day-trades no home broker – e uma carência diferente para o pagamento do imposto – no resgate para o fundo e mensalmente para o home broker – o resultado muda muito. Em 10 anos temos uma diferença de rentabilidade de 35% e em 30 anos esta diferença é de 1.300%!

Como economizar

Agora que já mostrei os ganhos possíveis vou falar sobre as formas de economizar. Nem todas idéias que apresentarei gerarão economias para todos investidores, é preciso que cada um avalie seu caso separadamente. Recomendo pesar o custo e trabalho envolvido em cada caso para ver se a economia gerada valeria a pena ou não.

Jogar com a regra de isenção

A única forma da pessoa física ter ganho na bolsa e não pagar imposto é usando a regra de isenção. Esta regra diz que aqueles investidores que venderam até R$ 20.000 em ações no mês estão isentos de pagar o imposto sobre os ganhos de suas operações não day-trade com ações. Para aproveitar plenamente esta regra o investidor precisa ter, pelo menos, uma planilha onde acompanha suas operações todo mês.

Imaginemos um investidor que comprou ações muito tempo atrás, a um preço médio muito abaixo do preço atual negociado. Ele terá ganho assim que vender suas ações, porém, considerando que não fez outras operações no mês, pagará imposto de renda somente se vender R$ 20.000 ou mais. Para este caso, aparentemente, a maior economia será obtida caso as vendas sejam limitadas a R$ 20.000 por mês.

Resumindo, é importante para o Trader saber quanto pagará de imposto em uma operação antes de enviar uma ordem. Não recomendo a ninguém deixar de operar uma estratégia porque precisa manter seu volume de vendas abaixo do limite de isenção. Mas saber quanto já vendeu até o momento no mês e quanto pagaria de imposto caso essas vendas  passem de R$20K pode fazer, e com razão, que um investidor adie uma venda por alguns dias para que esta não o faça ficar acima do limite de isenção no mês. Ao passar o limite o investido para o IRPF sobre todos seus ganhos, e não apenas sobre aqueles gerados pelas vendas acima do limite.

Buscar o melhor enquadramento

Considerando as possíveis formas de incidência do imposto de renda sobre investimentos em ações, a pior tributação é para o investidor pessoa física que faz day-trades. Esse investidor é tributado com a maior alíquota (20%) e precisa pagar seu imposto mensalmente. Na outra ponta temos os investidores de clubes e fundos de investimentos em ações, que são tributados em 15% do ganho e apenas no resgate.

Infelizmente não é viável para todos o investimento em ações exclusivamente através de fundos e clubes. Caso você tenha um volume considerável, de custódia e em sua conta na corretora – um milhão de reais, pelo menos, comece a cogitar abrir um fundo de investimentos exclusivo para você. Além de pagar menos imposto você também terá bem menos trabalho em sua apuração e declaração anual.

Aqueles investidores que ainda não alcançaram o capital necessário para viabilizar os custos de um fundo próprio não precisam desanimar. Existem vários fundos (e clubes) de investimento no mercado que são abertos. Entre esses muitos gerenciam suas carteiras com técnicas semelhantes às praticadas por investidores realizando, por exemplo, exclusivamente o lançamento coberto de opções.

Minha dica então é estar sempre atento às opções de disponíveis e considerar os ganhos possíveis ao se “terceirizar” partes de seu investimento. O investidor que faz day-trades via homebroker ao mesmo tempo que mantem uma carteira exclusiva para dividendos pode, por exemplo, considerar investir em um fundo de ações pagadoras de dividendos ao invés de manter uma carteira própria.

Finalmente, investiu via home broker, teve lucro, e vai ter que pagar a DARF? Deixe para pagar no último dia útil do mês seguinte ao apurado, é seu prazo limite e enquanto ele não chega seu dinheiro continua investido e rendendo.

Estar em dia com o Leão

Este ponto é relacionado com todos os anteriores e faz parte da “raiz” do tema deste post. Para economizar qualquer custo é importante estar atualizado nos controles gerenciais que envolvem tal custo.

Com relação ao IRPF sobre o investimento em ações, não há nada a se ganhar omitindo informações da Receita. Também é importante lembrar que a multa por atraso na entrega da declaração anual é de, pelo menos, R$ 165,74. O contribuinte que tiver que pagar tal multa porque não declarou corretamente seu investimento em ações está tendo um custo em seu investimento cujo o efeito a longo prazo pode acabar com sua rentabilidade (lembre do gráfico no começo deste post).

O que fazer então?

  1. Apure seu IR todo mês que operar.
    1. O passo a passo do cálculo você encontra aqui.
    2. Quer menos trabalho? Nossa ferramenta faz tudo automaticamente.
  2. Pague a DARF sem atrasaos.
  3. Guarde seus documentos por pelo menos 5 anos: notas de corretagem e extratos da conta da corretora principalmente.
  4. Faça a declaração anual corretamente.
    1. Informe os resultados calculados todo mês e os impostos pagos.
    2. Não se esqueça de informar seus prejuízos e saldos de IRRF a compensar.

Quer saber mais? Recomendo este artigo, maior mas mais completo, sobre o assunto.

 

Ex AAI, fundador e sócio da SmarttBot

  • Fernando

    Um adendo para casais que unem as finanças mas mantém as declarações separadas é manter uma conta para cada um e dividir os investimentos (caso os custos operacionais compensem) para dobrar o limite de isenção do IRPF.

  • gilson

    Devo incluir a taxa de custódia no calculo do preço médio das ações???

  • gilson

    URGENTE!!!! No caso do preço médio das ações que eu tinha ate 31/12 na declaração anual, a taxa de custodia entra no calculo????

    • Olá Gilson,

      A taxa de custódia pode ser considerada, porém deve ser rateada corretamente entre todos os ativos em sua custódia (que implicaram no pagamento desta taxa).

      Atenciosamente,

  • Excelente dica, afinal em época de crise ninguém quer pagar muito no imposto de renda, e é sempre bem vindo uma forma de reduzir custos.