6 Métodos Para Definir Uma Ordem Stop Bem Sucedida

Saber como colocar e definir uma ordem stop é fundamental em qualquer transação que você faça na bolsa de valores. Neste artigo você vai aprender 6 métodos diferentes para posicionar ordens de stops. Separei também dicas práticas para que seu stop seja bem sucedido.

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Se você utiliza qualquer técnica de gestão de risco — algo fundamental para qualquer investidor — toda vez que você abrir uma nova posição (seja comprado ou vendido) deve colocar logo em seguida: uma ordem stop.

A arte de colocar uma boa ordem stop é determinar o valor que a ação deverá atingir para que sua ordem de stop seja executada (preço gatilho).

Se você colocar um valor muito próximo ao de entrada, pode ser executado somente pelas variações diárias. Se colocar um muito distante, pode sofrer grandes perdas e vender no ponto em que a ação já sofreu quase toda a queda.

Como este é um dilema que investidores enfrentam há anos, muitos métodos já foram desenvolvidos para o posicionamento de uma ordem stop. Diversos fatores são considerados, seja individualmente ou combinados:

É importante conhecer o funcionamento de cada um destes métodos antes de decidir qual é o que funciona melhor para você.

1# Variação % no preço

Este critério define uma % do seu investimento inicial que você está disposto a perder. Se você investiu R$ 1.000 comprando ações e não quer perder mais que R$80, seu stop deve estar em um preço 8% abaixo do seu preço de entrada.

Esta é a regra mais básica. Ela não considera diversos fatores importantes, como a volatilidade da ação ou retorno desejado.

No entanto, ela não deixa de ser extremamente útil. Ela leva em conta o principal fator na hora de investir: seu perfil de investidor em relação ao risco.

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2# Risco – Retorno

Esta técnica já leva em consideração um fator mais avançado: o retorno potencial de seu investimento.

Do mesmo jeito que é importante saber quando parar de perder (usando o stop), é fundamental que você saiba seu objetivo de ganho e quando parar de ganhar (realizando seu lucro). Esta técnica assume que você é um investidor sério. Ou seja, que ao iniciar uma posição já sabe em quais momentos vai encerrá-la, seja no lucro ou no prejuízo.

Utilizando indicadores de análise técnica, podemos definir o objetivo do trading; qual preço a ação deverá chegar, seja para cima ou para baixo. E fazendo a divisão de um pelo outro (preço de retorno alvo / preço de saída) podemos encontrar o potencial de retorno que o trading daria (total em ganhos) em relação ao seu risco (total em perdas).

Um exemplo prático:

Utilizando indicadores de análise técnica, decidimos que uma ação que custa R$ 10 (preço atual) está com potencial de movimento de alta, com objetivo de chegar a R$ 16 (preço alvo) e que este movimento seria invalidado se a ação caísse para R$ 8 (preço de stop).

Desse modo seu:

  • retorno potencial é de R$ R$ 6 (16-10), e
  • risco potencial é de R$ 2 (10-8).

Portanto seu índice de risco-retorno neste trade: de 3 (6/2). Ou seja, para cada R$1 que você pode perder, tem chance de ganhar R$3. Parece um bom índice não é mesmo?

Além de usar esta técnica constantemente, muitos investidores criam regras com um índice mínimo de risco-retorno que um trade precisa ter para que seja realizado. Embora cada um tenha o seu, a maioria dos investidores que conheço que utilizam esta técnica somente entram em trades que tenham índice risco-retorno maior ou igual a 3.

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3# Variação Máxima Histórica

Neste método você utiliza um séria histórica para determinar qual foi a maior baixa da ação naquele período, a partir do seu preço de entrada. Deste modo você garante que no máximo vai perder igual à queda máxima. Evitando, assim, qualquer queda futura que seja o novo recorde de baixa no período.

Um exemplo prático:

Você comprou uma ação a R$ 10 e utilizando a série histórica dos últimos 3 meses, percebeu que de R$ 10 a queda máxima foi para R$ 8,25. Deste modo, este é o valor que vai disparar sua ordem de stop.

Uma crítica válida sobre este método é que ele considera somente o passado recente. Ele não leva em conta o comportamento da ação em outros cenários. Também considera queda máxima, mas não leva em conta fatores importantes, como o retorno desejado ou a perda máxima suportada pelo investidor.

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4# Stop Móvel

Este método consiste em atualizar o valor da sua ordem de stop diariamente para reter uma porcentagem dos ganhos do dia anterior.

Se você quer reter pelo menos 40% dos ganhos do dia, no final do pregão reajusta seu stop para um valor que contemple 60% dos ganhos do dia.

Um exemplo prático:

As ações de sua carteira subiram de R$ 10 para R$ 11 hoje, e você quer reter pelo menos 30% deste ganho. Portanto no final do dia, coloca sua ordem de stop em R$ 10,30.

Este método pode ser bom para o investidor que já teve ganhos além do desejado e acredita que a ação ainda vai subir mais. Ele garante que pelo menos partes dos seus ganhos serão mantidos. Porém, quando o ganho do dia for muito pequeno seu stop fica muito próximo ao preço de mercado, podendo ser executado pela oscilação diária e não por uma queda real.

5# Stop com indicadores técnicos

Este método faz uso de indicadores de análise técnica para definir onde o stop deve ser colocado.

Como os indicadores técnicos consideram fatores dinâmicos da ação, como tendência, volatilidade e volume, eles são excelente ferramentas para definir de maneira dinâmica onde o stop deve ir.

Um exemplo é utilizar o indicador ATR (Average True Rate), como explico detalhadamente neste artigo.

Muitos investidores avançados têm seu próprio sistema de indicadores para definir onde colocar o stop. E esta técnica também é altamente recomendada para investidores que desejam automatizar seus investimentos usando robôs.

6# Tempo de Posição

Esta técnica considera que tempo é dinheiro. Se você entrou em uma posição que começou a se mover de lado, é melhor encerrá-la após um certo tempo e encontrar outra ação que esteja se movendo. Ou seja, colocar seu dinheiro onde realmente valha a pena.

Dicas Para um STOP bem Sucedido

Independentemente do método que você utilize, seguem algumas dicas práticas que sempre devem ser lembradas no momento de posicionar uma ordem de stop:

  • Deixe pelo menos 3% de spread para evitar que seu stop seja executado somente pelas variações diárias; não por uma queda real.
  • Ordens Stop não fazem tanto sentido para investidores que ficam observando a tela durante todo o dia. Mas são fundamentais para todos os outros investidores.
  • Ordem Stop não funciona bem para grande posições. Considere o volume de mercado e o tamanho da sua posição; é provável que sua ordem não seja 100% executada.
  • Utilize valores redondos como gatilhos. Eles têm maior chance de serem negociados: 7,00 ou 7,50 são melhores do que 7,47.

Diego Wawrzeniak (@diegowrz) é autor do Guia do Imposto de Renda na Bolsa. Trabalhou no mercado financeiro e é economista pela FGV. Além de finanças, também é apaixonado por empreendedorismo, inovação e conversar com outros investidores.