Como Avaliar um Fundo de Investimentos

Existe um tipo de investimento que tem a fama de ser complexo: os fundos de investimento. Eles não são considerados renda variável e muito menos renda fixa. Além disso, existem milhares (sem exagero) de fundos no Brasil e pode parecer difícil escolher um deles para investir.

Os fundos de investimento não são um produto e sim um serviço. O fundo em si não traz nenhum retorno para o investidor: o que traz rendimento são os investimentos (chamados de “ativos” ou “produtos”) em que o fundo coloca o seu dinheiro (sendo renda fixa ou variável).

Ao invés de você usar uma corretora para aplicar em vários produtos de investimento diferentes (CDB, Tesouro Direto, ações e etc) você se torna cotista em um fundo de investimento, transfere para o fundo a quantia que quer investir e o gestor do fundo cuidará das suas aplicações. Se quiser entender um pouco mais sobre esse funcionamento, clique aqui.

Todos os fundos são regulamentados e fiscalizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). A primeira dica é: antes de investir em determinado fundo, veja se está tudo certo com a classificação dele na Anbima e na CVM!

Mesmo assim, ainda continua confuso? Confira os cinco fatores que você precisa analisar antes de escolher um fundo de investimento.

#1 Defina seu perfil e seu objetivo

Qual é o seu perfil investidor? Conservador, moderado ou arrojado? Ter isso definido é essencial antes de escolher um fundo de investimento.

Não sabe como definir isso? Escrevemos um post aqui no Bússola para te ajudar: clique aqui para ler.

Outro ponto importante é o seu objetivo financeiro. Aonde você quer chegar com esse investimento? Você precisa definir qual é a sua meta, o seu sonho. É muito importante saber isso para saber qual caminho você precisa trilhar para chegar até lá.

A partir desses dois conceitos, você consegue saber que tipo de risco está disposto a tomar e quais são os investimentos que se encaixam para o seu perfil/objetivo. Ou seja, você está um passo mais perto de escolher o seu fundo de investimento.

#2 Escolha o tipo de fundo

Existem diversos tipos de fundos disponíveis no mercado. Lembra que dissemos ali em cima que o fundo é um serviço e não um produto? Então! O tipo do fundo é o que define para onde o seu dinheiro vai efetivamente.

Ou seja, na hora de investir, você sabe exatamente para que tipo de investimento está indo o seu dinheiro. O gestor do fundo não pode sair investindo onde ele quiser, precisa ser em algo que você tenha escolhido.

A lista é muito grande, mas os fundos de investimento mais comuns são:

  • Multimercados: o seu dinheiro pode ser investido em diversos ativos sempre buscando a melhor rentabilidade – desde títulos públicos até ações
  • Renda fixa: o gestor do fundo só aplica seu dinheiro em ativos de renda fixa (CDB, LCI, LCA, LC, Tesouro Direto, entre outros)
  • Ações: seu investimento vai para ações da bolsa de valores
  • Imobiliários: o fundo só investe o seu dinheiro no mercado imobiliário
  • Cambial: investe em moedas como dólar e euro

“Mas como eu sei qual é melhor para mim?”

Tudo depende de caso para caso! Por isso que o item #1 é tão importante. Se você já tem o seu perfil e o seu objetivo definidos, fica muito mais fácil escolher.

Se você é mais conservador, um fundo de renda fixa talvez seja melhor. Se for mais arrojado, o que acha de um fundo de ações? E o mesmo vale com os seus objetivos. Analise quais são as suas metas e quais riscos você está disposto a correr.

A partir disso, a lista de opções vai diminuindo e você chegará a um tipo de fundo que mais interessa.

Importante dizer que nada te impede de investir em mais de um fundo, ok? Se você quer investir um pouco em um fundo multimercado e o resto em um de renda fixa, é você quem decide! As dicas que separamos aqui são para quem está começando a investir agora em fundos. Em um segundo momento, seu dinheiro pode ir para quantos fundos quiser.

#3 Analise as taxas

Como você está “dando” o seu dinheiro para outra pessoa investir, essa pessoa precisa ganhar alguma comissão, certo? Por isso, você precisa analisar as taxas que o fundo cobra antes de aplicar o seu dinheiro.

Aposto que você não quer pagar taxas abusivas e fazer uma comparação entre os fundos existentes é uma boa ideia para saber quem cobra mais e quem cobra menos.

Algumas taxas que podem ser cobradas nos fundos:

  • Taxa de administração: Todos os fundos cobram a taxa de administração. É o valor que você paga pela gestão do seu dinheiro e, na maioria dos casos, a rentabilidade mensal já vem com o desconto desse custo.
  • Taxa de performance: Alguns fundos cobram a taxa de performance. Bem resumidamente, é uma taxa cobrada quando o rendimento vai melhor do que o esperado.
  • Taxa de carregamento: Alguns fundos cobram um valor para cada vez que o investidor (cotista) faz um novo aporte, é a taxa de carregamento.

É muito importante saber quais taxas estão sendo cobradas no seu investimento para não ter surpresas no final do mês. Quanto mais informações você tiver, melhor!

#4 Entenda a rentabilidade

Não, a rentabilidade NÃO é o fator mais importante! Na hora de investir, muita gente acha que o rendimento é o fator principal. “Se aquele fundo está rendendo bem, vou colocar meu dinheiro lá”. Mas não é bem assim que a situação funciona. Você precisa passar pelos itens #1, #2 e #3 e, só depois, pensar na rentabilidade do fundo de investimento.

Como o fundo é bem diferente da renda fixa, é mais complicado ter uma expectativa de retorno. Por obrigação legal (da lei mesmo!), inclusive no Yubb, é mostrado o retorno histórico do fundo de investimento – ou seja, como ele está rendendo nos últimos meses. Nunca é possível mostrar quanto o fundo vai render no futuro.

Isso é muito importante, já que um rendimento passado não garante rendimento futuro. Não adianta sair investindo naquele que rendeu mais! Você precisa entender como funciona a rentabilidade daquele fundo específico antes de escolher.

#5 Faça um teste

Definiu o seu perfil investidor/objetivo financeiro, escolheu o tipo de fundo, analisou as taxas e entendeu a rentabilidade? Agora é a hora de investir! Se você ainda não se sente 100% seguro, que tal fazer um teste?

Vale dizer que, se você já entende bastante sobre o assunto e está confiante, invista sem medo! Essa dica é para quem ainda está com um pé atrás.

Separe uma quantia menor do que aquela que você tem para investir e pratique! Para esse primeiro momento, escolha um fundo que não cobra taxa de carregamento (ninguém merece pagar por cada aporte, né?) e que tenha um investimento mínimo baixo e sinta a experiência.

Transfira o seu dinheiro para o fundo, veja como vai funcionar a sua relação com a instituição, entenda como você pode acompanhar o rendimento do seu investimento… Enfim, teste! Depois disso, você vai se sentir muito mais seguro para aplicar a quantia que desejar em qualquer fundo.

 

Depois de passar por esses cinco passos, ficou muito mais fácil escolher o fundo de investimento, né? Gostou das dicas? Deixe seu comentário aqui embaixo!

 

 

Bernardo Pascowitch
Bernardo é fundador e CEO do Yubb, buscador de investimentos totalmente gratuito para qualquer pessoa encontrar opções para aplicar melhor seu dinheiro. Bernardo é formado em direito pela Universidade de São Paulo (USP).

Débora é produtora de conteúdo no Yubb e formada em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.