Como as startups de FinTech vão mudar a vida das pessoas no Brasil?

A tecnologia eficiente e escalável das startups está cada vez mais presente na área dos serviços financeiros. Quem ainda não controla seus investimentos, pagamentos, movimentações e afins via plataformas online, pode ter certeza de que em breve essa será a sua realidade!

Estamos falando das startups de FinTech, que vão mudar a vida das pessoas, de empresas e até do sistema bancário tradicional nos próximos anos. Entenda o conceito, o cenário e os resultados nesse especial do blog Bússola do Investidor:

O que é FinTech?

FinTech vem da junção de Finanças com Tecnologia e é um termo hoje utilizado para designar startups inovadoras na área de serviços financeiros providos por processos e produtos baseados em tecnologia. Já são mais de 400 startups deste segmento no Brasil, que facilitam o acesso e a entrega de benefícios para os clientes e descartam, em muitos casos, a intermediação dos bancos.

Estas startups, normalmente, criam novos modelos de negócio, em áreas como investimentos, seguros, gestão financeira, cartão de crédito e débito, empréstimos, pagamentos, dentre outras. Hoje é possível, por exemplo, oferecer controle financeiro às pessoas de uma forma mais barata, ágil e simples, com aplicativos que podem ser gerenciados em qualquer lugar com acesso à internet.

Essa inovação nos serviços financeiros tem crescido para lados diferentes, otimizando atividades que vão desde a transação de dinheiro até a automatização de investimentos na Bolsa. Mas todas essas startups caminham para um mesmo objetivo: tornar as decisões e ações financeiras mais acessíveis e menos burocráticas.

O Bússola do Investidor, por exemplo, é uma startup de fintech. Por aqui, a gente procura fomentar o uso da Calculadora de IR para investidores de renda variável e a plataforma com gráficos da Bolsa de Valores para análise técnica, ferramentas online simples e eficientes.

Por que esse tipo de empresa tem ganhado tanto destaque?

Segundo uma pesquisa do portal Let’s talk Payments, o Brasil é extremamente favorável para o surgimento de startups de FinTech. No cenário nacional, cerca de 40% da população não utiliza serviços bancários, e boa parte desse número se deve ao fato de que a burocracia, as taxas e a falta de serviços mais simples tornam uma conta no banco algo muitas vezes desnecessário.

Além desse dado, existem informações muito relevantes do principal grupo consumidor do momento, os millenials (jovens que nasceram entre 1980 e 2000), pessoas sempre conectadas em seus smartphones, tablets e computadores. Enquanto para muitos serviços o banco ainda leva mais tempo para resolver as coisas e necessita de intermediadores, muitas startups tornam o uso do dinheiro algo sem complicadores. E para essa geração que pode fazer quase tudo pelo celular, fintechs são mais um conforto na rotina.

Outras vantagens dos serviços financeiros realizados por startups é o empoderamento do usuário, que controla seu dinheiro em alguns cliques, simula situações e em vez de aconselhamento, ganha dados para tomar decisões. Fora isso, enquanto bancos e outras prestadoras de serviços financeiros dão mais importância a contas grandes, as startups conseguem automatizar inclusive o atendimento, prestando um suporte eficiente, mas antes de tudo, permitindo que o cliente faça tudo com autonomia.

E por que existem tantos investidores procurando esse tipo de negócio?

Um estudo da Venture Scanner de 2015 mostrou que, até então, já existiam 1406 fintechs espalhadas pelo mundo e que, em 2014, o total de investimento captado por essas startups somou US$ 29 bilhões. Como essas empresas estão crescendo e tendo seu modelo de negócios bem aceito pelo público, nota-se que existe a demanda.

Junto a isso, entra a estratégia dos bancos para não perderem seu mercado: grandes instituições financeiras, internacionais e até do Brasil, estão em busca de startups de fintech para se tornarem parceiras e, assim, inovar de forma mais rápida. Como as prioridades e preocupações dos bancos são outras, eles podem se unir às startups para delegar a elas a responsabilidade de inovar e trazer a tecnologia para o dia a dia das pessoas sem precisar de dar cabo de um projeto inteiro, apenas “terceirizando” ele.

Startups de Fintech no Brasil

Algumas empresas têm se destacado quando o assunto são fintechs em território nacional. Associando eficiência, plataforma e percepção de valor pelo cliente, elas são capazes de fornecer uma boa solução a um preço justo, resultado da união entre tecnologia e equipes enxutas e dedicadas.

Para conhecer os setores e as startups envolvidas nesse ecossistema, confira o gráfico abaixo.

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As startups que se destacam em cada setor

Selecionamos startups de 6 grandes grupos da área de serviços financeiros na nuvem. Se já tiver ouvido falar sobre alguma delas, não é mera coincidência!

Investimentos

  • SmarttBot – plataforma para investir de forma automatizada na Bolsa de Valores;
  • Magnetis – planejador de investimento e gestão de carteira conforme perfil do cliente;
  • Vérios – planejador de investimento e gestão de carteira conforme perfil do cliente;

Gestão financeira

  • GuiaBolso – aplicativo para controle financeiro pessoal;
  • ContaAzul – sistema de gestão financeira empresarial;

Aquisição de capital

  • Broota – conecta investidores e startups;
  • Kickante – plataforma de crowdfunding;

Seguros

  • Bidu – plataforma de seguros online integrada com as principais seguradoras;
  • Minuto Seguros – corretora de seguros especializada em vender apólices na internet;

Pagamentos

  • MoIP – solução de pagamentos online;
  • Iugu – infraestrutura financeira para pagamentos e recebimentos online;

Serviços diversos (cartão de crédito, empréstimos e afins)

  • NuBank – cartão de crédito com taxas menores sem ligação com qualquer banco;
  • Bank Fácil – facilitador de empréstimos com aprovação rápida usando bens como garantia.

Os bancos estão ameaçados pelas fintechs?

Sendo o forte das startups é a inovação, elas podem ser concorrentes de bancos em alguns serviços, porém, podem apresentar soluções especificamente para um novo público, como os millenials, e até serem a fonte de inovação para os bancos, por meio de parcerias. Como as startups têm grande escalabilidade, tecnologia de ponta, serviços a custos menores, menos burocracia e não têm barreiras diante da inovação, estas empresas têm um forte poder de crescimento, fadado a acontecer com ou sem outra instituição financeira. Se as fintechs são uma ameaça ou não, é uma questão de perspectiva.

O que esperar dos serviços financeiros com o crescimento das startups de fintech?

Inovação, segurança de dados, aplicativos fáceis de usar, maior controle de gastos e custos mais baixos são benefícios claros trazidos pela revolução das fintechs. Mas as startups em si devem prover as funções que geram essas vantagens, como apresentado no relatório The future of financial services no Fórum Econômico Mundial em junho de 2015. São eles:

  • Infraestrutura de ponta: capaz de gerenciar, agregar e analisar os dados;
  • Automatização de alto valor: por meio de algoritmos, promover a automatização rápida e eficiente de serviços antes manuais, como a automatização de investimentos na Bolsa;
  • Redução da intermediação: deixando as escolhas e resultados mais diretos e a preços mais baixos;
  • Dados estratégicos: para entender e melhorar o conhecimento dos clientes;
  • Produtos especializados: produtos altamente focados em um público-alvo, oferecendo melhores soluções e, assim, mais fidelidade do cliente;
  • Empoderamento do consumidor: ele toma as decisões e as ações, tendo mais autonomia.

Os insights desse estudo

O estudo também apontou as seguintes previsões:

  • As inovações no setor são previsíveis e esperadas;
  • O que tem mais impacto une plataforma online, dados e baixo capital;
  • Os bancos sentirão essas mudanças, porém elas terão mais impacto no setor de seguros;
  • As grandes instituições farão parcerias com as empresas que estão entrando no mercado, as detentoras da tecnologia;
  • A união entre grandes empresas, pequenas empresas e usuários de serviços financeiros deve ser analisada para compreender esse mercado, suas inovações, necessidades e riscos;
  • A inovação no setor financeiro determinará um novo tipo de consumidor, novas estruturas e novos modelos de negócios.

Mas afinal, o que esperar para os serviços financeiros?

Algumas tendências já começam a aparecer e dizem respeito tanto a serviços financeiros quanto à tecnologia da informação. Com a capacidade de acompanhar e processar um maior volume de dados, os serviços financeiros serão cada vez mais personalizados, a computação em nuvem será mais utilizada e as APIs assumirão um papel ainda mais importante que o de hoje.

E você, já utiliza serviços financeiros providos por startups? Comente!

Ludmila Alves

Colaboradora do blog Bússola do Investidor e Comunicação Estratégica na SmarttBot, plataforma de automatização de investimentos na Bolsa.

  • RaimundoJoel

    Muito interessante este post. Essas informações precisam ser divulgada amplamente em todas as mídias, pois o brasileiro não pode mais ser apenas o consumidor de tecnologias e ficar sempre atrás, não acompanhando as revoluções. Obrigado Bussola do Investidor por me proporcionar este nível de conhecimento.

  • Uma parceria entre Fintechs e bancos acredito que irá beneficiar muito as pessoas. Vamos aguardar…