Quando Não Confiar em Recomendações de Investimento

Todo investidor gosta de receber recomendações de investimento. Afinal, é tão fácil: sem precisar ter que pesquisar ou estudar sobre o tema, já sabemos magicamente onde investir e quais são os investimentos da vez!!

No entanto, cuidado! É justamente aí que começam muitos problemas…

O caso Sinara Polycarpo

recomedacoes de investimento

Faz pouco mais de um ano que aconteceu o caso que ficou na memória dos analistas de mercado.

Uma superintendente do banco Santander foi demitida após supostamente enviar aos clientes uma análise de mercado que previa consequências desastrosas na economia brasileira caso a presidente Dilma fosse reeleita. Leia mais informações sobre o caso aqui e especialmente aqui.

Entre as previsões da analista, estavam:

  • aumento dos juros,
  • queda da bolsa e
  • alta do dólar.

No momento em que a carta foi divulgada, o ex-presidente Lula se manifestou:

 “Essa moça não entende porra nenhuma de Brasil e de governo Dilma. Manter uma mulher dessa num cargo de chefia, sinceramente… Pode mandar ela embora e dar o bônus dela para mim”

Hoje passado um ano, podemos ver que Sinara Polycarpo, acertou em TODAS as suas previsões de mercado. Provando não só que entende muito bem de Brasil, mas que não é sempre que os bancos desejam acertar suas recomendações de investimento.

Vamos entender melhor alguns casos em que não podemos contar com as “recomendações”.

1. Recomendações não falam quando vender

recomendacoes-investimento

É muito comum recebermos recomendações de compra, com um enorme relatório mostrando o quanto é promissor determinado investimento, ou como é realmente uma oportunidade única de investir em determinada empresa, fundo ou título.

No entanto, o que não é muito comum de ver por aqui no Brasil, são as recomendações de venda. São raríssimos os casos que alguma casa de análises, e principalmente grandes bancos, divulgam relatórios aconselhando a venda de papéis de uma empresa ou setor.

E na maior parte das vezes em que isso acontece, é feito quando realmente a coisa já está bem feia e é impossível recomendar outra coisa a não ser a venda.

Portanto, se você seguiu a recomendação de compra, lembre-se que a partir deste momento está sozinho. Não adianta contar com o próximo relatório dizendo se você deve vender, pois se ele algum dia vier, já será tarde demais.

2. Recomendações não contam o verdadeiro cenário pessimista

recomedacoes-investimentos-ruins

Quando os bancos ou casas de investimento divulgam seus relatórios de análise, raramente o cenário pessimista é de fato tão pessimista quanto o que pode acontecer.

Você lembra de algum relatório dizendo para que você não investisse na capitalização da Petrobrás? E sobre o que poderia acontecer se o governo mantivesse a política econômica em curso nos últimos anos?

Pois é… Ninguém falou nada! No entanto, será mesmo que era tão difícil prever estas catástrofes? O caso da Sinara, mostra que não, no entanto mostra também que existem interesses maiores do que os de dar boas recomendações para os clientes.

Se você recebeu um relatório com alguma recomendação de investimento, não acredite que o cenário pessimista é aquele mostrado (nos casos em que é mostrado alguma coisa). As coisas podem sempre ficar muito piores…

3. Analistas de mercado não tem tanta independência assim

No mercado financeiro existe um termo muito conhecido que se chama “Chinese Wall” ou seja, muralha da China. Este termo é usado para indicar a separação entre os analistas que fazem recomendações de investimento (lado vendedor), e os analistas que realmente compram papéis (lado comprador), em fundos de investimento por exemplo.

No entanto, na prática é comum que essa muralha não seja tão intransponível assim.

Imagine o caso de um grande banco de investimento que está negociando uma grande operação de financiamento com um empresa. Será mesmo que o analista de mercado que identificar que esta operação não será boa para a empresa poderá emitir um relatório afirmando isso?

Não sejamos tão inocentes assim…

4. Bancos não querem só clientes felizes

Claro que fazer clientes felizes com boas recomendações de investimento faz parte dos interesses de qualquer banco, mas não é só isso que faz parte desta lista.

Os grandes bancos representam formadores de mercado, ou seja, a opinião de um grande banco afeta imediatamente as condições do mercado atual.

Imagine que o Banco Itaú divulgue que a sua previsão de inflação para o ano que vem é de 20%!

Opa!! Tem alguma coisa errada aí!

Por mais que eles realmente cheguem nesta conclusão, e achem que a inflação será elevada, é uma decisão muito grande divulgar algo dessa magnitude, dado todos os impactos que isso vai gerar no mercado.

Por conta disso, na grande maioria das vezes (se não em todas) os bancos preferem “play safe“, ou seja, ao invés de tentar prever a próxima crise, preferem ter projeções em linha com o que o resto do mercado já espera.

É aquela história: é melhor errar junto com todo mundo do que sozinho…

E você, lembra de alguma história em que as recomendações de investimento falharam? Compartilhe aqui nos comentários!

 

Diego Wawrzeniak (@diegowrz) é autor do Guia do Imposto de Renda na Bolsa. Trabalhou no mercado financeiro e é economista pela FGV. Além de finanças, também é apaixonado por empreendedorismo, inovação e conversar com outros investidores.