5 Coisas Para Saber Antes de Investir em Dólar

Quem acompanhou a evolução da moeda Americana em relação ao Real nos últimos anos, percebeu que houveram inúmeros altos e baixos, levando muita agente a se perguntar:

Vale a pena investir em dólar?

Para você ter uma idéia, no caso hipotético de alguém que comprou na mínima (R$ 2,19 em abril/14) e vendeu na máxima (R$ 4,19 em setembro/15), lucrou 90% em apenas 18 meses.

Então a resposta é sim!

Vale a pena investir em dólar, mas existem 5 coisas que você precisa entender primeiro:

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Fonte: Banco Central do Brasil

1. Existem muitas maneiras de investir

A primeira coisa que você deve entender é que exitem muitas maneiras diferentes de se investir em dólar. Cada uma delas oferece diferentes possibilidades, riscos, e envolvimento de sua parte.

As maneiras mais conhecidas são:

  • Comprar dólares no banco: você vai ter pagar um spread alto, tanto na compra quanto na venda mas que pode ser compensado com a valorização da moeda. E tem o IOF, que sempre deixa tudo 6% mais caro…
  • Investir em Fundos Mútuos: alguns fundos de investimento tem foco em investir e lucrar com moedas. Existem muitos fundos assim no mercado, mas nem todos mostram uma boa rentabilidade, ainda mais quando descontadas as taxas de administração. A vantagem é claro que você não precisa se preocupar em acompanhar o mercado por conta própria.
  • Investir no Mercado Futuro: pela BM&F Bovespa você pode comprar mini contratos futuros de câmbio, que pagam à você (ou fazem você pagar, depende de sua posição) a diferença referente a valorização do dólar ao longo da duração do contrato.
  • Mercado Forex: é um mercado com corretoras online, todas de fora do Brasil já que aqui é proibido, onde você pode comprar e vender diversas moedas no mundo. Tem riscos muito maiores, principalmente por algumas corretoras oferecerem um alto nível de alavancagem à seus clientes.

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Entender os riscos que você vai estar correndo, bem como o envolvimento necessário que você deverá ter em cada uma dessas maneiras de investor em dólar é fundamental, e deve ser o seu primeiro passo.

2. Probabilidades são a base de tudo

O mercado de moedas é todo fundamentado em probabilidades. Ou seja, não existe um método ou maneira de investir que vá gerar lucros sempre.

A chave do sucesso é posicionar-se de maneira que as perdas não sejam muito grandes, enquanto que os ganhos sim. Um exemplo disso na prática é: se você quer comprar dólares, deve faze-lo quando a moeda esteja em um patamar historicamente baixo, e portanto há pouco espaço para novas quedas, e mais espaço para novas altas.

Na prática é muito difícil de prever perfeitamente estes momentos, mas uma batida de olho em um gráfico j;a te dá uma boa ideia se existe mais espaço para uma queda ou uma alta do dólar.

3. O mercado é maior do que você imagina

Para quem está acostumado a investir nos mercados locais do Brasil, seja na BM&F Bovespa, ou até mesmo em renda fixa, pode não ter muita ideia de quanto maior é o mercado de moedas mundial.

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O mercado internacional de dólar e outra moedas, também chamado de Forex, é responsável por movimentar bilhões e bilhões de dólares todos os dias. E neste mercado, pessoas, bancos e empresas do mundo inteiro compram e vendem todos os tipos de moedas que exitem no mundo.

Pelo seu tamanho, é muito difícil tentar fazer qualquer tipo de análise usando fundamentos, sejam eles quais forem. Portanto o tipo de análise que a grande maioria dos investidores usa é a análise técnica. O que está em linha com o bom e velho pensamento base da análise gráfica: “não ir contra a tendência“.

4. Carry Trade

Um tipo de operação muito conhecida entre os traders de moeda é o chamado carry trade.  É um tipo de arbitragem usando as diferentes taxas de juros que cada moeda moeda paga.

Imagine que a taxa de juros no Brasil é de 14,0% ao ano, enquanto que no Japão é de 0,2% ao ano. Um trader pegaria o Yen (a moeda japonesa) emprestado e compraria Reais. Resultando em um ganho com os juros brasileiros e um custo muito mais baixo com os juros japoneses.

Por ser uma operação de arbitragem, os riscos são praticamente inexistentes, a não ser pelas flutuações que a cotação da moeda pode ter.

Se por exemplo, o Real se desvalorizar 30% neste meio tempo, os 14% de juros não serão o suficiente para garantir lucro ao investidor, que ainda terá uma perda de 16%.

Claro que o oposto também pode acontecer. Ou seja, se real valorizar, além dos juros você ainda ganharia a valorização da moeda.

Esta operação é extremamente praticada por grandes fundos de investimento no mundo todo, e o Brasil, por ter uma das taxas de juros mais atrativas do mundo é alvo de muitas operações deste tipo, que contribuem para os movimentos na cotação do Dólar frente ao Real.

Este é só um exemplo de inúmeras operações que podem ser feitas no mercado de moeda, e listei-o aqui para mostrar como as possibilidades são ilimitadas neste tipo de investimento.

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5. Esteja pronto para perder

Investir em câmbio é estar pronto para perder também. Por melhor que um trader seja, ter perdas faz parte do dia a dia de um investidor.

Portanto é fundamental que você somente comprometa dinheiro que realmente possa perder. Além disso, ao invés de aumentar seu capital investido com novos aportes, busque aumenta-lo com ganhos consistentes.

Não é verdade que uma conta com mais dinheiro resultará em mais lucros. Se você realmente tem uma estartégia consistente, confie nela e aumente seu capital desta maneira.

Conclusão – Investir em dólar é para você?

Agora que você já sabe um pouco mais sobre o mercado de moedas, pode finalmente responder a pergunta, se investir em dólares realmente é para você.

Apesar de existirem várias maneiras de investir, como pode ver, elas são totalmente diferentes entre si e envolvem os mais diferentes níveis de risco e de comprometimento de sua parte.

Independente de qual for sua resposta, o importante é ter paciência  para se informar melhor e aprender continuamente sobre a maneira que você escolheu para investir em dólar.

Diego Wawrzeniak (@diegowrz) é autor do Guia do Imposto de Renda na Bolsa. Trabalhou no mercado financeiro e é economista pela FGV. Além de finanças, também é apaixonado por empreendedorismo, inovação e conversar com outros investidores.