O Que Aprendi Como Gestor de Investimentos

Quando entrei no mercado financeiro no ano 1985, para mais tarde me tornar gestor de investimentos, lembro que li um artigo falando que os melhores investidores eram os marines americanos.

Eles tinham disciplina e estratégia:

  • Estratégia para fazer as alocações em ativos em quantidades e valores definidos anteriormente.
  • Disciplina para cumprir à risca as determinações de entrada e saída de um ativo.

Trip of the Secretary of Defense

Investimentos, Riscos e Perdas

Com o tempo, descobri que é muito difícil para um investidor aceitar uma perda.

Seja numa gestão baseada em análise fundamentalista ou grafista, uma perda é quase inaceitável para um investidor. Esse comportamento é alimentado por avaliações vaidosas dos investidores.

Habitualmente o investidor avalia um ativo dentre tantos com vistas a comprá-lo. Pondera e compara o ativo com outros, avalia o cenário no curto e médio prazo e decide comprar um ativo com a intenção de vendê-lo mais caro depois de algum tempo.

Se o mercado financeiro desenvolve o cenário que o investidor projetou, é bem provável que o ativo comprado se valorize, mas quando isso não acontece, o investidor amarga um prejuízo. O problema é que esse prejuízo pode ser pequeno ou grande, pode ser definido rapidamente ou se estender por muito tempo, agonizando o investimento.

O que faz um prejuízo ser pequeno e aceitável é que ele tenha sido considerado antes da realização da operação em si. O investidor que tem disciplina avalia o cenário e define ganhos e prejuízos potenciais ao investimento. Isto é, o investidor já sabe de antemão quanto poderá ganhar ou perder com a operação, reduzindo as chances de surpresas.

Se a operação é bem sucedida, o investidor realiza o ganho ao redor do valor estimado anteriormente, aumenta a poupança e parte para a próxima estratégia.

Mas quando o ativo perde, o investidor disciplinado tem definido o ponto de saída da operação, realizando o prejuízo considerado anteriormente. O dinheiro do investimento retorna à conta do investidor que segue em frente para outra estratégia.

Estratégia de Gestor de Investimentos

Um bom exemplo de surpresas do mercado financeiro ocorreu em 2008 na crise imobiliária americana. Os investidores tiveram prejuízos enormes com seus ativos. O mundo parecia que tinha acabado e o processo de desalavancagem iria atingir todos os ativos de risco.

O caso da PETR4

Explicando melhor, descrevo o que ocorreu com a ação da Petrobrás PN (PETR4).

Em maio de 2008 a ação da Petrobras atingiu R$ 45,55 em valores atualizados. No mesmo mês a ação atingiu R$ 41,58 em função da crise. A queda foi de quase 9%. A partir daí, a ação caiu fortemente e fechou o mês de novembro de 2008 a R$ 17,02:

O investidor disciplinado que teria comprado o papel antes da queda, ao redor de R$ 45,00 por exemplo, já teria saído do papel com uma queda de 10% por exemplo, aos R$ 40,50.

Triste e chateado, mas com parte dos recursos de volta à sua poupança e pronto para novas operações. Mas o investidor não disciplinado continuaria acreditando numa volta do preço da ação, numa recuperação após uma queda forte e manteria o ativo na carteira. Isto é, o investidor iria agonizar e aculumar mais prejuízos com a ação.

O processo de investimento disciplinado serve para todos os ativos financeiros.

O caso da NTN-B

Um outro exemplo: um título público atrelado à inflação, NTN-B.

O papel com vencimento em 2035 comprado há 12 meses, teve um desempenho positivo de 29%, mas recentemente vem apurando perdas forte, ao redor de 10% nos últimos 30 dias.

A rentabilidade do papel atualmente é muito parecida com a oferecida em junho de 2012 (4,76% contra 4,60% mais o IPCA). Isso significa que a taxa do papel caiu muito de junho de 2012 até fevereiro de 2013 gerando ganhos consideráveis aos investidores, porém, nos últimos meses, em função da elevação da inflação e da possibilidade do BC elevar a taxa de juros básica para conter a inflação, a taxa do papel voltou a subir, causando prejuízo.

Só nos últimos 30 dias esse papel perdeu mais de 10% de rentabilidade.

Apesar do vencimento do papel estar muito longe, o investidor disciplinado que comprou o papel no ano passado, teria realizado a sua venda, apurado o lucro e aumentado a sua poupança, enquanto avaliava outra estratégia de investimentos.

O investidor não disciplinado que comprou o papel em meados do ano passado, provavelmente, ficaria feliz com a sua posição e seu ganho, mas enfrentaria o prejuízo que recém ocorreu e não maximizaria o retorno do investimento.

Estratégia + Disciplina = Resultados

gestor de investimentosPortanto, seja em renda fixa ou renda variável, independente do ativo escolhido para o investimento, o investidor deve ser disciplinado e determinar antes de realizar a operação, um preço de saída para o lucro e um preço de realização para o prejuízo.

O investidor disciplinado não é vaidoso com suas operações, ele sabe que ganhar ou perder faz parte do jogo, mas o mais importante é preservar os recursos para fazer novas operações e continuar jogando.

Mário Bello

Experiente gestor de investimentos, e atualmente um dos responsáveis pelo Meliuz, site de Cupom de Desconto e Cashback.