COE: anatomia do investimento em Certificado de Operações Estruturadas

Você já ouviu falar no COE?

COE, sigla para Certificado de Operações Estruturadas, é um investimento que une características da renda fixa e da renda variável.

Em 2016, o COE está ganhando mercado e sendo oferecido por várias corretoras. Se você tem conta em alguma, é bem provável que já tenha recebido pelo menos uma oferta de COE neste ano.

Mas antes de colocar seu dinheiro no produto da moda, é necessário conhecer o COE pode dentro, seus riscos e possíveis vantagens.

A seguir, vou mostrar para você todos os detalhes da anatomia do Certificado de Operações Estruturadas.

O que é o COE?

O Certificado de Operações Estruturadas, ou simplesmente COE, é um produto financeiro que estreou no Brasil em 2014. Inicialmente, ele só era ofertado a clientes de alta renda dos bancos emissores do produto.

Desde 26 de fevereiro de 2016, após regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), passou a ser permitida a oferta pública do COE. Ou seja, agora o COE pode ser distribuído ao público em geral por meio de corretoras e distribuidoras de valores.

O COE é uma aplicação inspirada na chamada “nota estruturada”, muito comum nos Estados Unidos e em países da Europa.

No Brasil, existe o COE com capital garantido e o COE com capital em risco. Veja as diferenças:

  • Capital garantido: em qualquer situação o investidor recebe, pelo menos, seu dinheiro de volta no vencimento do COE.
  • Capital em risco: como o próprio nome indica, existe a possibilidade do investidor perder todo o dinheiro investido.

No ano passado, o COE com capital garantido representou 93,6% das emissões de Certificado de Operações Estruturadas em 2015, de acordo com a Cetip, a central de registro de ativos e títulos.

Como funciona o investimento em COE

Como disse no início do texto, o Certificado de Operações Estruturadas une elementos da renda fixa e da renda variável.

Cada COE tem seu rendimento relacionado ao desempenho futuro de um ativo financeiro ou índice, como dólar, inflação, ações.

Quem define essas condições é o banco emissor do COE.

Para cada cenário futuro do ativo relacionado ao COE, o banco emissor cria uma regra de rentabilidade diferente.

Por esse motivo, o COE é um produto complexo e de características muito variadas.

Cada certificado terá um perfil de aplicação mínima, prazo de vencimento, liquidez e regras de rentabilidade, de acordo com os cenários futuros de desempenho do ativo relacionado ao COE em questão.

Exemplo de COE

Para ficar mais fácil visualizar, criei um exemplo de COE com capital garantido baseado na variação do Ibovespa e com vencimento em um ano.

As regras de rentabilidade dadas pelo banco emissor seriam as seguintes:

  • se o Ibovespa cair ou ficar estável no período do investimento, o investidor terá somente seu dinheiro de volta (capital protegido).
  • se o índice valorizar até 25%, o investidor receberá um ganho proporcional à valorização.
  • se subir mais de 25%, terá um retorno fixado em 25%.

Pausa para reflexão: a que perfil de investidor esse produto seria indicado?

Para ter ganhos significativos, o investidor desse COE deve acreditar que o Ibovespa vai valorizar no período.

Já para quem acredita que o Ibovespa pode sofrer quedas nesse período, o resultado desse COE seria somente seu dinheiro de volta. Como há um custo de oportunidade, neste caso seria mais interessante aplicar o mesmo dinheiro em um produto de renda fixa, como o Tesouro Selic ou um CDB, que rendem perto da taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano.

Neste nosso exemplo do Ibovespa, o COE será mais vantajoso apenas em um cenário intermediário onde o índice Bovespa tem uma alta moderada – entre 14% e 25%. Nesse caso, você obterá o mesmo retorno da Bolsa tendo assumido menos risco.

É fato que ninguém pode prever o futuro, mas é preciso ficar atento para não investir em um COE em que os cenários de rentabilidade não sejam vantajosos.

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O COE em detalhes

Imagina que você investiu R$ 100.000 no COE descrito acima.

O que há por dentro desse Certificado de Operações Estruturadas?

1) Renda fixa

Para garantir o capital do investidor, o banco emissor do COE usará parte dos R$ 100.000 para captação própria, como se estivesse emitindo um CDB.

Se fosse um CDB que rendesse 14% ao ano, o valor presente para garantir o pagamento de R$ 100.000 após um ano seria de R$ 87.719.

Ou seja, o banco usaria R$ 87.719 para captação própria.

Essa é a parte de renda fixa do COE.

2) Renda variável

Na parte de renda variável, o emissor vai ao mercado de derivativos adquirir opções de compra e venda do Ibovespa na data de vencimento do COE.

Dessa maneira, o banco fica protegido, independentemente do cenário futuro.

A partir de estimativas do nosso time de pesquisa, seria necessário gastar R$ 9.970 em prêmios de opções para garantir todos os cenários de rentabilidade prometidos ao investidor na data de vencimento.

3) Custos

Dos R$ 100.000 recebidos do investidor, R$ 87.719 foram para a captação de renda fixa e R$ 9.970 para o mercado de derivativos.

Os R$ 2.311 restantes representam a remuneração da corretora que vende o COE.

Ou seja, apesar do COE não cobrar taxas de administração, esses custos já vêm embutidos. Neste nosso exemplo, o custo seria o equivalente a 2,31% do valor investido no período.

Vantagens do COE

O COE permite que o investidor tenha acesso a um produto sofisticado, mas sem precisar estruturar a operação sozinho. De acordo com emissores, os custos de um COE são menores do que se o investidor tentasse fazer “um COE por conta própria” (investir em renda fixa e no mercado de derivativos).

Outro ponto de vantagem é a tributação única, cuja alíquota do Imposto de Renda diminui conforme aumenta o prazo do investimento.

Riscos do COE

No COE com capital protegido, há um custo de oportunidade, pois se o cenário de rentabilidade não se concretizar, o investidor não terá protegido seu dinheiro da inflação, por exemplo, em uma aplicação de renda fixa.

Outro risco é o de crédito, pois se o emissor do COE quebrar, não há garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

A liquidez é outro ponto de desvantagem. A data de vencimento do COE é definida no momento da emissão. Embora, em alguns casos, exista a possibilidade de se resgatar o montante aplicado antes do prazo final, o investidor corre o risco de ter prejuízo ao revender o papel ao banco com deságio.

Investir em COE vale a pena?

Depende. Como o COE é um produto cujas características variam muito de emissão para emissão, os bancos podem criar tanto estruturas interessantes para o investidor, quando outras que têm alto custo embutido e poucos cenários vantajosos o suficiente para remunerar o custo de oportunidade do investimento.

Na Magnetis, acreditamos que o investimento em uma carteira balanceada entre renda fixa e ações ainda oferece a melhor relação retorno/risco e a um custo menor.

7 características do COE

1. Quem emite: grandes bancos, como Bradesco, Itaú, Santander, Safra, Morgan Stanley, entre outros.

2. Onde adquirir: nas próprias instituições emissoras ou por meio de plataformas online de corretoras e distribuidoras de valores.

3. Aplicação mínima: não há regra, mas é possível encontrar COE a partir de R$ 10 mil.

4. Como é tributado: o Imposto de Renda do COE segue a tabela regressiva dos investimentos em renda fixa.

5. Tipos de COEs no mercado: há COEs de capital garantido ou capital em risco, atrelados a câmbio, ações individuais, inflação ou índices, como o Ibovespa.

6. Suitability: o processo de suitability determina se o COE é adequado ao perfil do investidor. Todas as informações do produto devem ser apresentadas no DIE (Documento de Informações Essenciais), uma espécie de prospecto das características e riscos do COE.

7. Para quem é indicado: o COE com capital protegido é mais indicado para investidores com perfil “moderado”, que procuram exposição a algum indexador de renda variável sem correr risco de perda do principal investido. Já o COE de “capital em risco” é para um cliente com perfil mais arrojado, cuja tolerância a risco é maior, pois há a possibilidade de perda total do dinheiro.

Luciano Tavares

Luciano Tavares é fundador e CEO da Magnetis, consultoria de investimentos online que está revolucionando como as pessoas alcançam seus sonhos por meio de investimentos mais inteligentes. Administrador de carteiras credenciado pela CVM e planejador financeiro CFP ®, Luciano tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

  • diogoca

    Luciano, obrigado pelo esclarecimento.
    Abs!

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