9 Fatos Sobre Demonstrações Contábeis Que Você Precisa Saber

Todo investidor sabe que deveria estudar as demonstrações contábeis de uma empresa antes de investir em ações da mesma. No entanto, a verdade é que muita gente ainda “não se preocupa muito com isso” e não procura informações sobra as ações, até descobrir que fez um mau negócio quando já é tarde demais.

Se você é daqueles que sabe a importância dos demonstrativos financeiros de uma empresa, mas ainda se perde um pouco na hora de estuda-los, este guia é para você! Aqui vou explicar 9 pontos muito importantes de saber na hora de analisar qualquer demonstração contábil.

deontracoes contabeis

1. Quais demonstrações contábeis devo utilizar?

Para nós que queremos investir na empresa, as demonstrações contábeis que interessam realmente são 3:

a. Balaço Patrimonial

b. Demonstrativo de Resultado

c. Demonstrativo de Fluxo de Caixa

Outras informações como acionistas majoritários e retenção de lucros, são dados interessantes de saber, mas muito menos importantes. Os dados cruciais que realmente merecem toda a sua atenção estão nestas três partes dos demonstrativos financeiros e todas as empresas são obrigadas a divulga-los no mínimo trimestralmente.

2. Entendendo por de trás dos números

Você precisa ter claro que os números reportados representam acontecimentos no mundo real. Ou seja, vendas de R$ 300 milhões representam produtos e serviços reais sendo produzidos e entregues. Portanto é fundamental que você saiba exatamente no que consiste esses produtos e serviços, como eles são produzidos e comercializados, quem são o principais compradores e como funciona o setor que a empresa opera.

O número que chega até você é uma consequência direta dos acontecimentos no mundo real.

3. Não espere que todos sigam o mesmo formato

deontracoes contabeis financeiras

Apesar de existirem padrões contábeis (GAAP e IFRS) que buscam padronizar as demonstrações contábeis de todas as empresas, a verdade é que dificilmente a de uma empresa será como a da outra. Sempre existirão contas que uma usa e a outra não e tratamento diferenciado para o mesmo tipo de bem, dependendo do que a empresa faz.

Um investidor novato pode facilmente sentir-se perdido ao comparar os balanços de duas empresas diferentes, especialmente se estão em setores distintos. No entanto, não deixe que isso te desanime. Aqui vão algumas dicas:

a. As contas maiores (mais agregadas) como ativo circulante, patrimônio líquido, etc. costumam ter menos variações contábeis entre distintos balanços, portanto evite comparar contas muito específicas e dê atenção ao agregado.

b. Embora o balanço patrimonial esteja bastante sujeito a diferenças, o mesmo já não ocorre tanto com o demonstrativo de resultado e com o demonstrativo de fluxo de caixa.

4. Entendendo os termos financeiros

Alguns termos financeiros são amplamente utilizados nas demonstrações contábeis e dificilmente você vai entende-las sem saber o que eles significam. Palavras como: patrimônio líquido, ativo intangível, depreciação acumulada e amortizações, são somente alguns exemplos.

É importante que principalmente no começo você tenha um bom dicionário financeiro em mãos, ou utilize o Google para entender cada termo que ainda não conhece.

5. Saiba das convenções contábeis

É importante que você procure se informar sobre o básico das convenções contábeis, de acordo com o padrão contábil que as demonstrações contábeis estão sendo reportadas.

Um exemplo seria saber que no formato GAAP, os bens são reportados pelo seu valor de aquisição e não pelo valor atual de mercado, o que pode resultar em uma grande diferença da realidade. Além disso, as receitas são reportadas quando o produto é entregue, enquanto que os custos são reportados logo quando incorridos. Isso cria uma diferença com o fluxo real de dinheiro que entrou e saiu da empresa. Por conta disso o Demonstrativo de Fluxo de Caixa é tão importante, pois mostra se a empresa está com problemas financeiros.

6. Informações fora dos números

balancos-financeiros

Entender os números é muito importante, porém muitas informações valiosas podem estar em outros fatores que os números não mostram. Alguns exemplos são: o nível de competitividade da indústria, a competência dos gestores, o grau de inovação que a empresa mantém, entre outros.

Perceba que as demonstrações contábeis são somente algumas das peça do quebra cabeça que você precisa montar para entender de verdade uma empresa.

7. Utilize indicadores fundamentalistas

Um número por si só diz muito pouco sobre ume empresa. O que realmente nos interessa são os indicadores fundamentalistas, que criam proporções entre uma conta e outra. Neste artigo apresento os indicadores fundamentalistas mais úteis.

Os indicadores são muito úteis para comparar uma empresa com outras e para entender a evolução da empresa ao longo do tempo.

8. Leia as notas e observações das demonstrações contábeis

É impossível que tudo seja mostrado somente com números, daí a necessidade das notas explicativas que acompanham todas as demonstrações contábeis. É nestas notas que informações relevantes são apresentadas e muitas vezes um parágrafo aqui pode fazer toda a diferença em uma análise.

No início á normal perder-se um pouco, mas com a prática você vai conseguir diferenciar o que é realmente importante.

9. Entenda o que é “Consolidado”

A grande maioria das demonstrações contábeis que você irá ver será do tipo “Consolidada”. Isso significa que estão agrupados todos os resultados das empresas controladas pela empresa principal. Ou seja, entidades diferentes, com diferentes atividades estão sendo agrupadas em um só número.

Isso é feito pelo entendimento de que o agrupado de uma só empresa é mais significativo do que diferentes balanços em separado.

Conclusão

É, estudar os números de uma empresa não é fácil, mas ninguém disse que é impossível. Com um pouco de prática, você terá mais experiência e as coisas ficarão mais claras, podendo diferenciar mais facilmente as empresas que realmente merecem seu dinheiro!

 

Diego Wawrzeniak (@diegowrz) é autor do Guia do Imposto de Renda na Bolsa. Trabalhou no mercado financeiro e é economista pela FGV. Além de finanças, também é apaixonado por empreendedorismo, inovação e conversar com outros investidores.